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MELRO METÁLICO
UM BICHO PARA ENCHER OS OLHOS
Quem gosta de passarinhos coloridos, não vai deixar de reparar neste colega de "terno metálico", boas maneiras, mas que não se tem o privilégio de encontrar em cada esquina.
Olhar para ele dá uma certa impressão de um daqueles play-boys espalhafatosos que costumavam chamar a atenção em reluzentes jaquetões. Ao contrário deles, porém o Melro Metálico é uma ave muito discreta, "cool" até. Sua marca registrada é a plumagem colorida, com ênfase no tom verde, que faz dele uma espécie que muitos criadores vêm tentando procriar no Brasil.
Nascido na família Stornidae, mais conhecido como estorninho, ele é um verdadeiro onívoro, alimentando-se de frutas, insetos e grãos. As cores são vivas nos machos, embora nem sempre nas fêmeas, e todos, sem exceção, são fanáticos por um bom banho - não dispensando uma "boa piscina". Confirmado construtor de ninhos, este é um pássaro que só costuma tornar-se agressivo com outras espécies nessa fase.
Como muitos pássaros, o Melro Metálico possui cinco variedades. O Lamprotornis purpureus é a espécie mais conhecida. Mede 21 a 25cm e seu habitat natural compreende o oeste da África até o Sudão, Uganda e Quênia. Na Espanha, ele recebe a denominação de "cabeça púrpura" pelo tom violeta brilhante do ventre, colo e coronilha. As asas são verdes-metálicas, enquanto a parte superior da cabeça, o peito e o pescoço são coloridos em azul-metálico. De quebra, ele tem uma pequena máscara negra e olhos amarelos. Não se deve confundi-lo com uma espécie similar cujo tamanho é menor, o Purpurei ceps.
Com o nome popular de Melro Metálico Verde, o Altonis panayensis apresenta um verde mais escuro que os outros e tem olhos vermelhos. Medindo de 18 a 20 cm, costumava habitar o noroeste da Índia até a Indonésia - a ponto de alguns estudiosos fazerem referências a um Melro Asiático. Não é um pássaro comum no mercado europeu, provavelmente em função de viver em climas quentes, diminuindo sua resistência ao frio - o que não o torna menos raro também no Brasil. Por outro lado, está entre as espécies de Melro que podem ser criadas em cativeiro sem grandes problemas, inclusive por se tratar de um bicho mais sociável que o normal da espécie.
O Melro Tricolor (que não é nenhum torcedor de futebol) está no mapa dos criadores como Spreo superbus. Um pássaro entre 18 a 21cm, olhos amarelos, que se destaca pela cor das asas, cauda e dorso com aspecto metálico e reflexos verdes mesclados de azul e violeta. A cabeça é negra, a garganta e o colo azuis-metálicos, franja branca no peito e nuca, e a parte do ventre em um tom próximo ao tijolo. Seu habitat é o leste da África, Etiópia, Somália, Quênia e sul da Tanzânia. Fácil de criar em cativeiro, seus filhotes apresentam um apetite voraz. O Tricolor possui ainda duas subespécies, o Spreo hildebrandti e o Spreo shelleyi, muito semelhantes ainda que não tenham marcas brancas.
Maior que o Tricolor, o Melro Verde - Lamprotornis chalydaeus, para os íntimos - fica entre 20 e 23cm, sendo a fêmea um pouco menor. Habitante da Somália, Uganda, África do Sul e sul do Saara, esta variedade tem olhos amarelos e um colorido mais para o verde-garrafa, com máscara escura e um trecho sob o bico em preto. Há muitos melros parecidos com esse, com boa parte do corpo em verde, como o Lamprotornis chloropterus e o caudatis, uma espécie de rabo comprido.
A última variedade é o Melro Ametista, o Cinnyricinclues leucogaster com seus 16 a 19cm de azul-escuro-metálico na cabeça, pescoço, costas e cauda e a barriga até a base da cauda em branco no macho. A fêmea, coitadinha, tem uma coloração em marrom salpicado por todo o corpo, uma herança que passa aos filhotes, mas que dura só até a primeira muda, para os machos. Típico de grande parte da África, também se encontra ao sul do Saara e sudoeste da Arábia. Em comparação com os outros, não é tão estável nem tão forte, sendo a sua reprodução em cativeiro um fato bem incomum. Também tem como característica uma tendência mais insetívora que os demais Lamprotornis, com um caráter mais dócil e pacífico.
No Brasil, os melros ainda não são difundidos em maior escala. Muitos criadores estão tentando procriar a espécie, com raros resultados, o que faz dele uma daquelas obras de arte que a gente adquire, mas cujos segredos ainda não se conhece totalmente.
BANHO, CASA LIMPA, COMIDA...
Alimentação: Ração de cachorro seca, quebrada em pedaços bem pequenos (você pode passar uma garrafa em cima para moer melhor), fruta (maçã, banana, pêra, mamão) picadinha, pedaços de queijo branco ou ovo cozido também picado - que é uma forma de dar a eles proteína animal. Sendo onívoros, não deixam de apreciar no cardápio uma porção de insetos, como a larva de tenébrio.
Condições para criação: O ideal é colocar os melros em viveiros de no mínimo 1,5m a 2m x 1m para um casal. O lugar deve ser fresco, onde eles possam apanhar um pouco de sol, mas que também tenha sombra para o bicho não torrar do lado de fora. A turminha também vai gostar - e muito! - de uma vasilha para se banhar, com água limpa que você deve trocar até duas vezes por dia. Folhagens ou vegetação podem ajudar a criar as condições mais propícias para a procriação.
Reportagem: SORAIA YOSHIDA
Foto: Oswaldo Maricato
Prop: Loja Zoo-lógico
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