POMBO-CORREIO: ELE VOA MAS VOLTA

Você abre a porta do viveiro, ele sai voando. Você o chama, ele volta. E não é preciso treiná-lo para isso.
Emoções exclusivas, eis o que os Pombos-correio podem proporcionar a quem os cria. Por serem pouco conhecidos, é raro alguém pensar nele como animais de estimação. Porém são muito mansos, se afeiçoam facilmente a nós. Sobem em nossas mãos, nos ombros, arrulham ao nosso redor, demonstrando docilidade e confiança. A característica de, quando soltos, saírem voando para depois retornarem ao viveiro, dá à criação um toque muito especial. Principalmente para quem, tendo aves em cativeiro, gostaria de vê-las em liberdade e ao, mesmo tempo, desfrutar de seu convívio

 

 

SEMPRE VOLTAM

Cercado de casas e edifícios, em sua casa no bairro do Alto da Boa Vista, João Damberg, do Pombal Damberg, em São Paulo - SP, tem mais de 400 exemplares em 10 viveiros. Ele assiste diariamente (junto com os vizinhos mais atentos) a um espetáculo maravilhoso. De manhã e à tarde Damberg costuma abrir as portas dos viveiros. Os Pombos saem e levantam vôo. Formam um agrupamento no céu movendo-se em círculos, variando as alturas. Muitas vezes, ao chegarem em determinado ponto, seguem em linha reta e desaparecem no horizonte. Voltam cerca de uma hora depois.
Se estão no campo visual de Damberg, um assobio dele basta para que retornem e, um após o outro, entrem no compartimento onde vivem. Termina assim um ritual comum para quem tem Pombos-correio, mesmo que seja apenas um único exemplar.
Eles sempre voltam ao local onde nasceram (ou foram levados quando recém-saídos do ninho) mesmo que não assobiemos ou apitemos, demorando neste caso até duas horas para regressar. Atender ao chamado é aprendido por condicionamento. "Quando os alimento, assobio para chamá-los. Em apenas 3 dias eles associam este som à comida", explica Damberg.

UTILIDADES

O Pombo-correio é resistente. Pode voar distâncias de 800 quilômetros por dia. Veloz, voa a 84 km/h chegando a atingir até 108 km/h. Por essas qualidades e confiabilidade de seus vôos, os Pombos-correio são usados até hoje para ajudar em certas atividades específicas. Por exemplo, na França e Inglaterra são criados em laboratórios de análises clínicas e depois levados a hospitais, onde aguardam missões de emergência. Transportam sangue e hemoglobina em cápsulas presas nos pés ou em bolsas amarradas no ventre. São a alternativa mais rápida e econômica para esses exames urgentes.
Devido à sua visão de 360 graus, os EUA os usam para achar náufragos. Ficam em um helicóptero, numa caixa transparente em posição estratégica.
Percebem logo quando há alguém perdido no mar e sinalizam batendo com o bico num pino, atitude aprendida por condicionamento.

ESPORTE

Uma opção para quem cria Pombos-correio é participar das competições de velocidade organizadas pelo clubes especializados. É uma atividade ao ar livre, que proporciona lazer e passeios. Cada criador, para competir, leva seus pombos a locais distantes do criadouro, para onde eles voltarão, sendo medido o tempo em que fazem o percurso.
Como estas aves conseguem achar o caminho de volta ainda não se sabe. Acredita-se que marcam o ponto inicial da rota (durante seus círculos no ar) através de ondas eletromagnéticas. Orientando-se por estas mesmas ondas, prosseguem em linha reta. Sabe-se que de olhos vendados conseguem também localizar este ponto, mas têm dificuldade de se orientar quando se cria um campo magnético através de um imã colocado em suas costas. Com todas as suas qualidades, estas aves continuam atraindo o interesse de quem as conhece, fazendo com que sua criação se perpetue através do tempo.

DICAS DE COMPRA

Idade ideal do pombo: de 28 a 40 dias de vida, para ele aprender a voar quando já estiver com você. Assim, quando o soltar, voltará para você. Outra opção é comprar um casal de reprodutores (ou obter emprestado) e esperar os filhotes nascerem.
Onde comprar: procure criadores idôneos indicados por clube especializado.
Onde informar-se sobre clubes e criadores: Federação Columbófila Brasileira, Belo Horizonte, MG.
Vida média: 15 anos, mas podem chegar aos 20.

Reportagem: Carmen Olivieri. Texto: Marcos Pennacchi
Foto: Luiz Henrique Mendes
Prop: Willian Mazza Lessa

 

 

 
 
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