TICO-TICO

Quem não o conhece?


Ele é muito confundido com o pardal.
Mas, além das diferenças de plumagem o Tico-tico traz um topete na testa, que o identifica à primeira vista.

Encontrado em todas as regiões do país, o Tico-tico não anda em bandos grandes e presta inúmeros serviços ao homem e a outros pássaros, como ao Chopim, a quem serve de ama seca.

 

 

 

 

 

Tão famoso como o Tico-tico, só mesmo o antigo chorinho de Zequinha de Abreu, "Tico-tico no Fubá". Este pássaro é um dos mais populares de nossa fauna, quase um símbolo; e a música, um verdadeiro patrimônio da cultura brasileira, que fala de um Tico-tico que "está comendo todo, todo o meu fubá".
De fato, esta ave gosta muito de fubá. Porém, a sua maior particularidade não é a afeição ao farelo, e sim, a mania de ciscar o chão, o terreiro, a horta. Tanto é assim que o seu nome em espanhol é "Core por Suelo". Traduzindo: aquele que anda no solo.
Além dos países latino-americanos de língua espanhola, o "Core por Suelo"está na América Central e até nos EUA, onde o chamam "sparrow". Em todos estes lugares, de idiomas tão diferentes, a Ciência o batiza com mesmo nome : Zonotrichia Capensis.
É claro que existem diferenciações físicas. Um "sparrow" não é exatamente igual a um Tico-tico do Rio Grande do Sul. Embora sejam todos da mesma espécie, nas várias regiões surgem subespécies diferentes. Um se distingue do outro por sutis alterações na coloração das penas. Mesmo dentro do território nacional são conhecidas três subespécies. O Z.C. matutina vive na região amazônica (Brasil e também Bolívia); o Z.C. tocantins também prefere a amazônia; e o Z.C. subtorquata está no Brasil inteiro, sendo o mais popular do país.
O surgimento das diferenciações de uma mesma espécie é um fenômeno explicado pelo isolamento de alguns grupos destes pássaros em determinadas regiões, separados uns dos outros por barreiras naturais. O rio Amazonas, por exemplo, constitui-se numa fronteira geográfica, intransponível para os Tico-ticos, que voam apenas distâncias curtas e não conseguem atravessá-lo. Além dos grandes rios, as cadeias de montanhas, desertos etc., contribuem para o aparecimento das subespécies.
Também a civilização é um fator de dispersão dos Tico-ticos. Eles procuram e se adaptam muito bem aos quintais de uma casinha de fazenda. Freqüentam as pequeninas cidades do interior. Por outro lado, embora freqüentem as grandes cidades, sua sobrevivência se torna mais difícil devido à poluição e a falta de grandes áreas verdes, uma vez que precisam de árvores para construir seu ninho, precisam da natureza.
Na música de Zequinha de Abreu, contudo, há um lado falso. Ao menos exagerado. O Tico-tico é incapaz de comer todo o fubá de alguém. Injustamente há quem lhe atribua uma fama de nocivo, predador.
Ao contrário, ele vive em grupos muito pequenos, e seu porte é pequeno, nunca superando os 14 cm. O alimento necessário para um bando inteiro, mal faz diferença num prato de comida. Sem contar que comem insetos, limpam a horta de larvas daninhas, enfim, são também úteis.
Prestam ainda um curioso favor a um outro passarinho, o Chopim (Molothurs bonariensis), chocando seus ovos e alimentando seus filhotes. É que o Chopim põe ovos no ninho do Tico-tico e, nesta operação, muitas vezes joga fora os ovos originais que lá estavam, acontecendo da mãe Tico-tico criar uma ninhada inteira de Chopins, até atingirem a fase adulta. Cerca de 50 % dos ninhos costumam ter ovos de Chopim.
Há pessoas que confundem o Tico-tico com o Pardal, apesar de algumas diferenças básicas. O Pardal vive em bandos imensos, gosta de cidades maiores, choca inclusive nos telhados das residências. Como marca registrada, o Tico-tico carrega um topete na teste, que suspende a toda hora, a qualquer sinal de alerta; a cabeça é branca com riscas pretas, mas o tom castanho predomina. O papo é esbranquiçado, o peito branco amarronzado e as costas, castanhas, têm listras pretas. A subespécie Subtorquata traz um risco branco na altura do peito. Nenhuma destas características existem no Pardal, que é maior, tem a cabeça castanha escura com manchas pretas, e o corpo de uma marrom acinzentado, mais escuro que o do Tico-tico.
O seu nome veio do pio: "tic...tic..."Mas o macho canta, com quatro ou cinco notas diferentes, compondo uma melodia. Enquanto a fêmea choca o canto é muito mais freqüente.

CUIDADOS PARA A CRIAÇÃO

Instalação: O ideal é um viveiro de 1 m de largura x 3m de comprimento x 2m de altura, para um casal. Serve uma gaiola com 70 cm x 30 cm x 40 cm. Manter uma banheira com água, trocada todos os dias, e areia para a ave ciscar. É bom colocar arbustos no viveiro. No mesmo cercado nunca coloque mais de uma casal.
Alimentação: Alimenta-se de grãos. Ofereça alpiste e fubá em recipientes separados. Na cria dos filhotes, acrescente ovo cozido e larvas de tenébrio (encontradas nas casas especializadas) e insetos, como drosóphilas (são atraídas para o viveiro com uma casca de banana) que o pássaro apanhará vivas. Gafanhotos (encontrados na natureza) também são apreciados.
Saúde: É resistente. Comida fresca e água limpa bastam. Não são necessárias vacinas especiais.
Procriação: A época vai de setembro a março. Não há distinção visível entre os sexos. Para isolar um casal na gaiola, observe o comportamento dos dois indivíduos que estão juntos. Se há agressividade e não ficam juntos, substitua um deles, até que se forme o casal. Providencie ninhos de corda para canário (dois ou três no viveiro e um para a gaiola) e proteja-os com ramagem artificial sintética (samambaia ou avenca), para maior segurança da fêmea. A postura é de 3 ovos em média, e a incubação dura 13 dias. Aos 15 dias os filhotes voam e aos 35 se alimentam por conta própria. Uma fêmea pode ter duas ou mais posturas em um ano.
Observação: A apanha e comercialização é proibida pela lei 5197.

Matéria baseada em entrevista com o criador Paulo Fernando Flecha, de São Paulo
Foto: Priscila Mello

 

 
 
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