DIAMANTE
DE GOULD: BONITO E DÓCIL
Por reunir beleza e docilidade, ele é um forte
candidato a ser um bom pássaro de estimação.
Com
a beleza de suas cores vivas e bem definidas e o temperamento especialmente
dócil, o Diamante de Gould é um dos pássaros preferidos
para estimação.
Conhecido
em inglês como "Lady Gould" (Senhora Gould), foi assim chamado
pelo primeiro ornitólogo a estudar a espécie, John Gould, em homenagem
à esposa Elizabeth quando esta faleceu. Hábil desenhista de pássaros,
ela registrou a imagem das aves que o casal pesquisou junto em expedições
realizadas no século XIX.
ADAPTAÇÃO
O diamante
de Gould, criado há mais de 100 anos em cativeiro, ambientou-se à
criação doméstica a ponto de não estranhar a aproximação
das pessoas e permanecer calmo em situações como quando se coloca
comida na gaiola, sem demonstrar medo. Isto é extraordinário se
considerarmos que na natureza não desce ao solo para beber se não
pressentir absoluta segurança, podendo voar até 3 horas à
procura de um poço seguro. A confiança adquirida não significa,
porém, que o local onde fique não deva ter algum resguardo, para
que ele viva e procrie bem. É bastante comum que viva mais de 10 anos,
quando tratado adequadamente.
Recomenda-se
antes de um envolvimento com o Gould alguma experiência com espécies
mais rústicas como Canário de Cor, Periquito Australiano e Manon.
Isto porque o Gould é um pouco mais delicado, mas não a ponto
de causar problemas.
Quanto
à procriação, na maioria dos casos (há exceções)
a espécie não dá atenção aos filhotes, exigindo
o uso de uma ama-seca, como o Manon, para chocar os ovos e cuidar dos pequenos
até a sua independência.
Pode conviver
com outras aves, como o Starfinsh, Mandarim, Manon e Bico-de-prata principalmente
em viveiros ou voadeiras que são mais espaçosos. Deve-se evitar
superpopulação e espécies agressivas.
O interesse
pela sua criação cresceu com o aparecimento, sobretudo nos últimos
10 anos, de mutuações com novas cores e marcações
(veja fotos).
FICHA
Tamanho: cerca
de 12 cm.
Cores: Original - Cabeça: vermelha, preta ou laranja.
Peito: violeta. Barriga: Amarelo-ouro. Manto: verde luminoso. Mutações - Cabeça: amarela ou cinza. Peito: branco, rosa ou azul. Barriga: creme.
Manto: amarelo, cinza claro, azul etc.
Instalações: Que permitam banho de sol e em local com
algum resguardo. Gaiola - para 1 casal, ao menos 60 cm de comprimento x
30 cm de profundidade x 35 cm de altura. Viveiro - de alvenaria, com apenas
a frente de tela, voltada para o Norte, com 3 m de comprimento x 1 m de largura
x 2,10 de altura, piso de lage com 15 cm de espessura e tela de ½ polegada
com fio 18.
Acessórios: em gaiolas, 2 poleiros de 10mm de diâmetro,
bem afastados e longe das laterais, para evitar danos às penas da cauda.
Galhos de árvores são também uma boa opção,
mais usados em viveiros. Ponha uma banheira para banho diário, que ajuda
a manter a plumagem em boas condições. Deixe sempre à disposição
um osso de siba para fornecimento de cálcio e areia mineralizada para ajudar
na digestão.
Alimentação: mistura das seguintes sementes: 25% de alpiste
e 75% de painço e milheto, diariamente. Em dias alternados, verduras. Duas
vezes por semana e na época de procriação, mistura de 20%
de Farinha Láctea, 60% de Neston, 20% de farinha de rosca; acrescentar
ovo cozido esfarelado. Para cada kg desta mistura acrescentar 4 colheres (sopa)
de um suplemento nutricional como o ASA F1 e 3 de fosfato bicálcico. Na
natureza alimenta-se de gramíneas, sementes, brotos de verduras, insetos
adultos e em estado de larva e eventualmente de frutas e até polén.
Identificação sexual: o macho tem cores mais vivas principalmente
no peito, a cauda central mais comprida. Faz o corte movimentando-se no poleiro,
expondo as plumas e cantando. No período de acasalamento é comum
o bico do macho tornar-se mais claro e o da fêmea mais escuro.
Cruzamento: é totalmente desaconselhável cruzar ave recessiva
com recessiva (cabeça laranja ou peito branco ou manto azul), pois diminui
o tamanho dos filhotes, que ficam mais sucetíveis a doenças e podem
nascer com problemas genéticos. Cruze o recessivo com um dominante que
seja filho de recessivo.
Reprodução: A partir de 10 meses a fêmea bota de
5 a 8 ovos que eclodem após 15 a17 dias. Se não botar pode ser por
mudança freqüente da gaiola de lugar; pela fêmea ser jovem ou
velha demais, por falta de interesse do macho (vê-se quando não corteja
a fêmea). Para tentar interessá-lo, separe-o da fêmea por 1
mês. Quando os filhotes ficam independentes, aos 45 a 50 dias, separe-os
dos pais ou da ama para iniciar nova postura. Após 3 posturas dar descanso
de 1 mês ao casal, totalizando 6 posturas por ano quando a mãe não
choca (usa de ama). Quando a fêmea também choca, fazer só
3 posturas seguidas, por ano. Usar ninho de madeira de 20 (compr.)x14x14cm, com
divisória de 4,5cm de altura, formando 1 ambiente para os ovos (13x14)
e outro (7x14) para os primeiros passos dos filhotes. Neste último fica
a porta, redonda, na parte superior. A tampa deve ter 3 furos em cada extremidade,
para melhor circulação do ar. Como forração forneça
grama japonesa ou raízes de capim. Sensível às inspeções
no ninho: fazê-las ao entardecer.
Criação dos filhotes: em geral pais criados exclusivamente
por seus pais e não por amas-secas, são mais zelosos. Se os acostumarmos
ao uso de ama-seca, dificilmente criarão sem a ajuda dela no futuro.
Para tirar dúvidas: tel. (015) 228-2325, Cesar Ramon.
Para ler: A Guide to Gouldion Finches , publicado pela Australian Birdkeeper,
Australia, tel. (006175) 24-6616 Fax: 24-6535.
Agradecemos
à consultoria de César Ramon Del Rio, criador de Diamantes de
Gould, Sorocaba-SP, inclusive pela revisão deste texto, feita também
por Paulo Flecha, criador de pássaros.
Reportagem: Carmen Olivieri. Edição de texto: Marcos Pennacchi
Foto: Fernando Torres de Andrade
Prop.: César Ramon Del Rio


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