MAINÁ: UMA AVE MUITO ESPECIAL
Saiba por que essa ave tão repleta de qualidades tem
um público tão restrito

Ele é sabidamente uma ave falante de primeiríssima
linha. E tem, ao menos, o mesmo potencial como bicho de estimação
que papagaios, araras e afins. Mas a popularidade do Mainá (veja boxe As Várias Espécies) não chega nem perto da de seus colegas acima citados.
Até
no país mais representativo do mundo na criação de
animais domésticos, os Estados Unidos, o hobby em torno dele é
bastante restrito.
Não há entidades especializadas em
Mainás, nem uma grande participação de suas espécies
nas exposições de beleza. Também não é
encontrado na maioria dos pet shops e há pouquíssimos
criadores que se dedicam a ele. "Realmente, não há nos
EUA um hobby muito forte ao redor do Mainá; existem poucas lojas
que o vendem e poucos criadores", atesta a criadora norte-americana
Susan Boyer.
Se lá a situação é essa,
imagine no Brasil. Aqui, se há alguém que crie Mainá
- no sentido, é claro, de obter procriação -, esse
alguém anda muito bem escondido.
Cães & Cia fez uma
verdadeira busca em território nacional. Conversou com dezenas de
pessoas das mais atuantes no hobby de ter e criar aves - ornitólogos,
criadores de diversas espécies, veterinários especializados,
lojistas, importadores -; todos desconheciam a existência de alguém
que se dedicasse à criação de Mainás no País.
Lojas que o vendam assim como proprietários particulares são
bem poucos mas existem e, em comum, eles têm o fato de seus
exemplares serem, todos, importados.
APARÊNCIA SÓBRIA
Uma das causas que bloqueiam a popularização
do Mainá é exatamente aquilo que, para um público
restrito, representa um de seus maiores atrativos: a aparência sóbria.
Trata-se de uma pássaro que, em suas "versões"
mais conhecidas, é predominantemente negro, de olhos escuros e
expressão séria.
E entre as aves que competem
diretamente com ele, as falantes - que via de regra pertencem à família
dos Psitacídeos, a exemplo de papagaios, lóris e araras -,
encontra-se um arco-íris de cores fortes e vibrantes, que tendem a
chamar muito mais a atenção do público geral.
"As
pessoas que entram na loja sempre se impressionam com a coloração
exótica dos Psitacídeos, e o Mainá acaba não
despertando muito o interesse da maioria delas", atesta o proprietário
da loja paulistana Gato Ke Rri, Fábio Tiezze, que comercializa
Psitacídeos e Mainás.
"Os Psitacídeos
sempre atraem mais os clientes e por isso são mais facilmente
vendidos do que os Mainás", comenta o dono do pet shop Mondo
Sommerso, Marco Antonio Augusti, de São Paulo.
"Mainás
costumam ser procurados por uma clientela diferenciada, que já tem
um certo conhecimento sobre aves", observa Sílvia Garcia,
gerente da loja filial da Mondo Sommerso, no Rio de Janeiro.
O
articulista da revista Bird Talk e criador norte-americano de Mainás
e lóris, Dick Schroeder, que acompanha o segmento das aves nos EUA
há quase 30 anos, concorda: "Quem tem ou cria Mainá faz
parte de um público sofisticado, que aprecia a discrição
e elegância de sua aparência e que, não raro, já
tem experiência com aves."
E, em se tratando de criadores,
é preciso mais do que apreciar a beleza sóbria do Mainá.
É preciso também gostar de desafios, porque conseguir
reproduzi-lo em ambiente doméstico - não há criador
que negue - é complicado .(veja
quadro Dicas para Manter e Procriar)
"É mais difícil
criar Mainá do que qualquer Psitacídeo", afirma
Schroeder. "Além das dificuldades muitas vezes comuns também
a outras aves, como não haver diferença física confiável
entre macho e fêmea, o Mainá é bastante exigente com
as condições ambientais", diz a criadora Becky Bock, do
Arizona, EUA.
"A dificuldade em se obter a procriação
do Mainá certamente contribui para sua pouca popularidade",
avalia Schroeder. "Afinal, se houvesse mais exemplares, ele seria
mais visto por aí e teria mais chances de conquistar novos
entusiastas", completa.
A difícil criação
do Mainá faz com que seus poucos criadores norte-americanos
produzam filhotes em pequena escala. O resultado é que até o
seleto grupo de donos potenciais não tem outra saída a não
ser esperar.
"Dos seis casais que tenho, apenas dois reproduzem
realmente bem, o que sempre implica clientes aguardando para adquirir o
seu exemplar", atesta a criadora Susan Boyer.
Becky passa pela
mesma situação: "Atualmente minha lista de espera está
com 43 pessoas", comenta ela. "Como possuo apenas quatro casais,
alguns dos clientes terão de aguardar cerca de dois anos até
receberem seus Mainás", estima.
Também é uma ave curiosa e brincalhona. "Quando
está solta, adora explorar o ambiente, cutucando pilhas de roupas,
mexendo nos papéis e 'roubando' alguns objetos que consiga segurar
no bico", descreve Anita.
"Um dos meus Mainás, por
exemplo, costuma pegar minhas meias e sair voando com elas", conta. "Diverte-se
com balanços e sininhos apropriados para aves", cita Becky. "Banho,
simplesmente amam; se não tiverem uma bacia grande, dão um
jeito de banhar-se no próprio bebedouro", comenta Anita.
E,
para aqueles que querem uma ave que possa ser solta da gaiola mas não
querem móveis e objetos destruídos, não há
melhor opção do que o Mainá. Classificado no grupo
dos softbills, em português, "bico macio", ele tem baixíssimo
poder de destruição. Pode até bicar algum objeto, mas
dificilmente irá estragá-lo.
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