
OFERTA ESCASSA
No Brasil, a oferta de Mainás anda mais escassa
do que nunca. Não bastasse a aparente ausência de criação
no País, a importação de aves estrangeiras, de dois
anos para cá, está bastante dificultada.
O Ibama, em
1998, baixou uma nova portaria estabelecendo diversas exigências
para a entrada de aves no Brasil. Até aí tudo bem. As exigências,
ainda que muitas, são válidas e possíveis de ser
cumpridas.
No entanto, em um dos artigos, o Ibama deixa claro que o
Ministério da Agricultura, caso considere necessário, pode
interferir no processo de importação. É isso que tem
ocorrido.
Sob a alegação de evitar a entrada de doenças
no País, o Ministério da Agricultura tem barrado as importações.
Como conseqüência, os importadores estão deixando de
importar. E muitas lojas, sabendo disso, estão deixando de aceitar
encomendas.
"Durante anos trabalhei como importador de aves,
trazendo diversas espécies, inclusive Mainás, e abastecendo
várias lojas do Brasil", conta José Augusto Borges,
dono da empresa de importação J.A. Borges, de São
Paulo. "Mas, no momento, em função da dificuldade de
trazer aves, só tenho importado rações",
explica.
"Paramos de importar, não temos mais Mainás
e, como não há previsão para que o Ministério
da Agricultura mude de atitude, não estamos sequer aceitando
encomendas", declara Marcelo Tolentino, dono de uma das maiores
distribuidoras de aves do Brasil, a Wild Life, no Rio de Janeiro.
Considerando que tudo seja feito de acordo com o que determinam as
autoridades, o brasileiro que quiser um Mainá, pelo menos por
enquanto, vai ter de se contentar com os raros exemplares que chegaram
aqui antes do colapso das importações e que ainda não
encontraram um dono.
A boa notícia é que eles existem
em algumas lojas. A má é que, além de serem poucos, já
estão adultos e não foram devidamente acostumados ao
manuseio. Portanto, quem quiser um Mainá plenamente socializado - o
que só é possível condicionando-o desde filhote ou
adquirindo um adulto já condicionado - terá de esperar por
tempos melhores.
"Na época em que trazíamos aves,
vinham também Mainás filhotes, exatamente para que pudessem
ser socializados", comenta José Augusto. "Se as importações
voltarem ao normal, os filhotes de Mainá tendem a reaparecer no
mercado", prevê.
FALADOR
"O Mainá também pode aprender a falar a palavra
correta na ocasião correta", indica Anita. "Para tanto, é
preciso que falem com ele de forma contextual; ou seja, que digam 'tchau'
apenas quando estiverem indo embora; que digam 'vamos comer' apenas na
hora da refeição e assim por diante", explica.
"Também
aprendem a falar cedo, com três ou quatro meses de idade e, depois,
aprendem novas palavras pelo resto da vida", diz Becky. "Mas, se
um Mainá não falar até os dois anos, o que é
raro e só tende a ocorrer com exemplares não socializados,
provavelmente não falará mais", avisa.
COMPANHEIRÃO
Se alimentado na mão desde filhote, de preferência a partir
de duas ou três semanas de vida, o Mainá tende a se tornar
muito sociável e receptivo ao manuseio. "Uma vez bem
socializado, o Mainá aceita ser pego na mão não só
pelo dono como por qualquer pessoa", garante Anita. "Mas é
preciso socializá-lo devidamente, manuseando-o sempre e colocando-o
em contato com pessoas diferentes", indica.
"Mainás
socializados são grandes companheiros; voam até nós
para ficar em nossos ombros ou sobre nossa cabeça, gostam de ser
acariciados, prestam atenção em tudo o que fazemos e, às
vezes, até obedecem quando chamados", resume Becky. "No
entanto, ave é ave e, quando menos esperamos, ela bate asas e
adeus; por isso deve-se manter o Mainá com a asa cortada ou só
soltá-lo quando janelas e portas estiverem fechadas", alerta.
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