
A VOZ DOS DONOS
Veja o que dizem três donos sobre o convívio
com o Mainá. Seus exemplares, hoje com mais de dois anos de vida,
foram adquiridos ainda filhotes. E, mesmo que só tenham sido
parcialmente socializados, são mascotes dos mais divertidos
O biólogo José Luiz Galimberti Vieira Araújo,
de São Paulo, comprou seu Mainá, um Gracula religiosa
indica, há três anos quando ele tinha por volta de três
ou quatro meses de vida. "Ele já estava sendo socializado pelo
dono da loja, que o alimentava na mão. Quando trouxe-o para casa,
continuei fazendo o mesmo por cerca de uma semana e, então, fui
gradualmente acostumando-o a comer sozinho.
Decidi ter um
Mainá porque sempre gostei de aves diferentes. E, afinal de contas,
trata-se de um dos poucos passeriformes que falam. Hoje, sua gaiola fica
na sala de TV, onde ele acompanha todo o movimento da casa. Raramente o
solto e também não o acostumei com pessoas desconhecidas. Só
aceita que minha mãe e eu o peguemos na mão e também
retira delicadamente pedaços de comida de nossa boca.
Do meu
pai, aceita cafuné.
Gosta tanto de ser acariciado que
chega a fechar os olhos. Quando quer chamar a minha atenção,
fica repetindo com o meu tom de voz 'fala Mainá'. Ele me imita tão
bem que muitas vezes minha mãe pensa que estou chegando em casa e,
na verdade, é o Mainá falando 'oi mãe'. Também
vive imitando a gargalhada dela.
Ela ri no andar de cima, ele ri no
andar de baixo. Como eu tenho rinite alérgica, o Mainá imita
com perfeição até os meus espirros.
Trata-se
de um pássaro bem ativo e curioso. Está sempre pulando de um
poleiro ao outro ou brincando com a argola e o sino que pendurei em sua
gaiola. Quando o solto, mexe em tudo. Passeia sobre a mesa, levanta folhas
de papel e segura pequenos objetos."
Hélio Fabri, aposentado, de São Paulo, conheceu o Mainá
em um desses fantásticos documentários televisivos sobre o
mundo animal. Hoje tem quatro exemplares, todos da subespécie
Gracula religiosa intermedia. "Quando vi aquela ave na TV fiquei
impressionado.
Toda preta, distinta e falava que era uma
beleza. Isso faz uns dez anos. Foi então que adquiri meu primeir o exemplar. Depois, virei um colecionador. Fui comprando, comprando e
cheguei, imaginem só, a ter dez deles: alguns vieram filhotes;
outros, adultos. É um pássaro engraçado.
Os
filhotes que eu alimentei na mão cresceram mansos. Um deles até
ficava solto no jardim. Tinha a asa cortada e adorava andar no dorso do
meu Pastor Alemão.
Assobiava o Hino Nacional, cantava
Parabéns a Você e vivia brincando em cima da máquina
de costura. Falava um monte de palavras. Mas aí deu uma doença
e vários morreram. Hoje tenho quatro, mas nenhum foi realmente
socializado. O mais interativo deles é uma fêmea, a Messias.
Comprei-a há dois anos e meio, quando tinha uns seis meses de vida.
Ela já comia sozinha.
Não gosta que eu a pegue
na mão, mas adora um cafuné através da grade. De
todas, é por ela que tenho um xodó especial. Quando pego a
mangueira, Messias diz 'água'. E se espirro a água nela,
fica feliz da vida. Gosta de banho que só vendo. Sabe o nome das
pessoas. Quando vê a empregada, chama-a pelo nome. O mesmo acontece
comigo e com minha namorada. Também fala 'alô' só de
ouvir o telefone. Parece que é inteligente."

Dono de uma banca de cereais em São Paulo, Adilson Goes
Junior tem um papagaio africano, um lóris e o Zé, um Mainá
da subespécie Gracula religiosa intermedia que está com
cerca de três anos de vida. "Sempre li sobre pássaros e
assim conheci o Mainá. Por ser inteiro preto com aquela barbela
amarela achei-o diferente. Soube também que era um ótimo
falador e decidi comprar um exemplar.
O Zé chegou
novinho, com uns 60 dias de vida. Durante pelo menos dois meses, minha
mulher e eu o alimentamos na mão. Quando a gente dava larva para
ele comer, brincávamos: 'Zé, quer bicho feio?' Não é
que ele aprendeu a repetir a frase tanto com a minha entonação
como com a da minha mulher?! Até hoje, se as minhas filhas maiores,
a Bruna e a Aline, derem alguma larva para o Zé, ele repete na
mesma hora, com a voz bem grossa, 'Zé, quer bicho feio?' e depois
afina a voz e fala de novo 'Zé, quer bicho feio?'.
Também
basta me ver que já começa a falar: 'Ô Zé, ô
mãe, ô pai'. Às vezes dá bronca nas meninas: 'Ô
Bruna, fica quieta!'. Sabe latir que nem cachorro e reproduz o canto dos
Bem-te-vis melhor do que os próprios Bem-te-vis. Ele não tem
asa cortada e, desde que come sozinho, só o tiro da gaiola nos fins
de semana e, mesmo assim, dentro de um galpão fechado para que não
possa sair.
Aí ele voa no meu ombro e abaixa a cabeça
para eu fazer cafuné. Com visitas, nunca o acostumei. Por isso, se
colocam a mão em sua gaiola, assusta-se. De manhã, ele e o
Papagaio ficam no maior e mais desconexo bate-papo. O papagaio faz o som
do telefone e diz 'alô' e o Zé responde 'Ô Zé, ô
mãe, ô pai'."
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