DOMINÓ

Um pássaro de temperamento selvagem.

Encontrado em países africanos e há, aproximadamente, 5 anos no Brasil, o Dominó ainda preserva em cativeiro todo o seu instinto selvagem, não admitindo a intervenção do homem.

Despojado de colorido atraente e voz melodiosa, o Dominó chama a atenção pela grande facilidade de reprodução e pelo seu instinto selvagem. Pertencente à família dos Estrildíneos, as 3 espécies de Dominó mais consagradas no Brasil são: Spermestes bicolor, Spermestes cuculateus e Amauresthes frimgilloides. Todas de comportamento semelhante e bastante fáceis de criar, desde que respeitadas suas características.
O Dominó é encontrado, na natureza, em países como, Angola, Quênia, Senegal e Tanzânia. No Brasil, no entanto, ele se acha apenas em cativeiro, e é criado há aproximadamente 10 anos. Mesclando-se em tons que vão do castanho ao preto no dorso e branco no peito, ele recebeu, também, o sugestivo apelido de "freirinha". Isto porque, com um pouco de imaginação, suas costas podem lembrar o hábito usado por algumas religiosas. No entanto, seu temperamento, muito longe de ser pacífico e fraternal, é agressivo e não tolera intervenções exageradas em seu cativeiro. Talvez, isso seja mais uma qualidade do que um defeito para os amantes de pássaros, já que reflete uma resistência em deixar-se domesticar completamente e perder o instinto próprio de suas raízes.
Esta hostilidade pode ser comprovada no fato de que o Dominó não gosta de repartir seu ninho e, também, de admitir que pássaros estranhos integrem-se ao seu bando. Isto, se não levado em conta, pode ser fatal para o intruso, considerando-se que, em cativeiro as possibilidades de fuga são irrisórias, e que um Dominó, além de valente, possui um bico forte.
Deste modo, fica a cargo do bom senso do criador, que quiser criar casais, em aproximar pares que já tenham convivido juntos e colocar, cada um, em gaiolas grandes (70cm de comprimento x 40 cm de altura x 30 cm de profundidade). Por outro lado, o passarinheiro poderá contar com a vivacidade e grande propensão à reprodução deste animal.

CRIAÇÃO

As diferenças entre sexos são aparentemente inexistentes, portanto, um candidato a criador, para detectar se o seu casal é composto de macho e fêmea, deve aguardar a época da cruza (o ano todo, mas principalmente, de abril a outubro), observar se surgem carícias entre os dois exemplares e, se acontece o "ritual" do acasalamento. Eriçando as penas, emitindo sons baixos e movimentando-se, exoticamente, em volta da fêmea, parecendo até um bailado, o macho pula em cima da fêmea, que o aceita e colabora com a consumação do ato sexual. Quando isto não ocorrer, o criador deverá substituir um dos exemplares porque, mesmo que tenha um casal, pode acontecer da fêmea não aceitar o macho.
Acasalando-se o ano todo, este pássaro tem em média 6 filhotes por ninhada, e costuma estender o período de incubação em torno de 13 a 14 dias. Apesar de poder ter até 4 ninhadas por ano, o Dominó, depois da 3º, costuma maltratar os filhotes. Por isso, a partir daí a cruza não é recomendável.
A preparação do ninho, apesar de ser fácil, requer alguns cuidados. Uma boa maneira de conseguí-lo é adquirir, em casas especializadas, uma caixa de madeira e um pouco de capim-barba-de-bode. Isto, colocado num canto da gaiola, será suficiente para que o casal confeccione o ninho.
Em geral, os criadores costuma acoplar esta caixa às grades de gaiola, de modo que o orifício do recipiente, com 3cm. de diâmetro, fique de frente para a gaiola e possa dar aos pais e filhos, livre acesso a qualquer um dos "aposentos".
O controle sobre a ninhada deve ser feito discretamente, visto que as intervenções não são aconselháveis e podem levar os pais ao abandono do ninho. E, mesmo porque, o casal costuma ser dedicado, dispensando, assim, excessos de atenção por parte do criador.
Quanto à alimentação, o Dominó pertence ao grupo dos granívoros. Seu "menu" compõe-se, principalmente, de sementes de alpiste, milho, painço, aveia, niger, além de verduras como chicória e almeirão. A dieta deve ser variada e, por conseguinte, arroz em casca e larvas de Tenébrio, encontradas em casas especializadas, podem ser um boa opção, segundo, logicamente, o gosto da ave. À alimentação pode-se adicionar, ainda, sais minerais através de ovos cozidos e misturados com farinha de rosca, os quais são devidamente peneirados e amassados. No entanto, independente disto, ovo com farinha, além de casca de ovo de galinha, são indispensáveis para a ave que estiver em época de cria. Um potinho de areia para pássaro, também pode ser providenciado e colocado no canto da gaiola.
A nutrição dos filhotes não constitui preocupação, pois isso, é tarefa cumprida pelos pais. Com 10 dias de vida, o recém-nascido torna-se mais vivo e emplumado. Já com 30 dias é separado dos pais e recebe a alimentação normal.
Um Dominó vive em média 6 anos mas, para isso, é necessário que o fator higiene esteja sempre presente. Além da limpeza diária da gaiola e do oferecimento de alimentos frescos, o criador precisa precaver o pássaro contra piolhos, capazes de depositarem centenas de lêndeas (ovos) sobre as penas dos pássaros, das quais alimentam-se. Para evitá-los prepara-se, a cada 3 meses, uma solução de 1 litro de querosene com 10% de qualquer inseticida doméstico líquido, e pincelam-se as pontas dos poleiros. Ainda com relação à limpeza, o Dominó adora tomar banho e uma "banheirinha" no canto da gaiola irá lhe proporcionar muito prazer.
As três espécies de Dominó têm sido mestiçadas, dando bons resultados, e solucionando casos em que o criador não dispõe de pares iguais para tentar a cruza.
No caso do Amauresthes frimgilloides, ele tem sido não só mestiçado com o Diamante Sparrow e o Modesto, mas também servido como ama-seca de filhotes.

Esta matéria foi baseada em informações fornecidas pelo criador Francisco Ferreira Aparício.
FOTO: Carinhosamente apelidado de freirinha, dado à sua coloração preta, no dorso, e branca, no peito - o que pode lembrar o hábito usado por algumas religiosas -, o Dominó teve sua criação em cativeiro introduzida no Brasil, há cerca de 10 anos.
De temperamento ainda selvagem, não gosta que o homem interfira em seu meio. Mostra-se agressivo, inclusive, com outros pássaros que não tenham convivido com ele desde pequeno. Mas, nem por isso, os criadores se desinteressam pela sua criação, uma vez que ele se reproduz com certa facilidade e pode ser cruzado com outras espécies, como o Diamante Sparrow, gerando filhotes que se dão bem na tarefa de ama-seca.
A foto acima de um exemplar ainda filhote.