PATATIVA
Canto melodioso e triste. O belo canto da Patativa tem
tantos admiradores que, no Brasil, ele já foi citado em música,
verso e prosa. Na natureza, o macho (foto) usa o canto melodioso para demarcar
seu território.
Hoje,
no Brasil, a maioria dos criadores de pássaros tem como objetivo a
reprodução das espécies. Porém, até 1967,
quando era permitido o comércio dos pássaros brasileiros e esses não
eram tão raros, sendo facilmente encontráveis na natureza, os
passarinheiros mantinham apenas machos, que em geral têm uma plumagem mais
bonita e são bons cantores. Um dos pássaros mais procurados nessa época
foi a Patativa, devido à sua beleza, ao seu porte, à sua maneira
de pousar e, principalmente, devido ao seu canto.
O canto da Patativa, melodioso e triste, é tão
atraente que o nome deste pássaro virou apelido de alguns cantores
nordestinos. Devido a ele a Patativa já foi citada em uma música
famosa de Vicente Celestino, no romance "Ubirajara", de José de
Alencar, e no poema "As primaveras", de Casimiro de Abreu.
A Patativa vive nos campos, vegetações
ribeirinhas e baixadas, ocorrendo também na Argentina e Paraguai. Durante
o inverno, época em que vive em grupos, a Patativa é dificilmente
vista, pois fica escondida realizando a troca de suas penas. A partir de
setembro anda em casais, e seu canto pode ser percebido ao longe.
Entre os meses de março/abril e julho/agosto fica em
baixadas úmidas e brejos, onde pode obter sementes de gramíneas.
Nessa época praticamente não canta. Com a chegada da primavera, a
alimentação torna-se mais rica e os machos começam a formar
territórios e disputar as fêmeas para o acasalamento. Como todo os
pássaros territoriais, a Patativa defende com valentia seu domínio
da invasão de outra ave, da mesma espécie ou não. Os machos
costumam ficar no alto das árvores cantando incessantemente para demarcar
o seu espaço.
As fêmeas fazem ninho numa forquilha não muito
alta, usando raízes e gramíneas para a parte externa. A parte
interna é forrada de raízes mais moles e, se encontrada, crina de
cavalo. O ninho tem forma de taça e a postura é de dois a três
ovos.
Em cativeiro adapta-se com muita facilidade, logo se
tornando uma ave mansa e dócil com o proprietário. No entanto, não
é aconselhável colocar nenhum outro pássaro junto com um
casal na mesma gaiola pois, para o macho, na época de reprodução,
a gaiola é seu território e como tal será defendido. No
caso de viveiros maiores, outros pássaros podem mexer no ninho da
Patativa, ou levá-la a uma insegurança que acabará
impedindo a sua reprodução. Deve-se tentar a reprodução
desde setembro. A partir daí, a gaiola não deve mais ser retirada
do lugar e as Patativas não devem ver mais nenhum pássaro,
principalmente de sua espécie, para que seja garantida a tranqüilidade
total ao casal. Se, durante o choco e o nascimento dos filhotes, o macho começar
a atrapalhar a fêmea ou maltratar os filhotes, deve ser retirado da gaiola
e a fêmea se incumbirá sozinha da criação da prole.
O filhote, até um ano de idade, é pardacento.
Depois desse ano, se o espécime for macho, adquirirá uma cor
azul-acinzentada e a fêmea continuará com a cor do filhote. Há
uma variedade que ocorre em várias regiões do Brasil e mais freqüentemente
no norte do Paraná, bem mais rara e de bico amarelo, o que a torna muito
mais bonita e desejada.
CUIDADOS NO CATIVEIRO
Alimentação: Alpiste, painço,
arroz em casca e verduras, como escarola ou couve. Para a reprodução,
reforçar essa alimentação básica com uma ração
feita de Neston ou farinha de rosca, adicionando-se uma colher pequena de
Sustagem, Gevral ou Meritrene e uma gema de ovo cozida e amassada numa peneira.
Essa ração também serve para a alimentação
dos filhotes, junto com larvas de Tenébrio.
Anilhamento: Os filhotes devem ser anilhados no sexto dia de vida
com o anel de 2,5cm de diâmetro.
Classificação zoológica: ordem dos Passeriformes,
subordem dos Oscines, família dos emberezidas, gênero Sporophila e espécie plumbea.
Instalações: A sua criação é conseguida
mesmo em gaiolas pequenas, como a gaiola nº 3, de 70cm de comprimento, 40
de altura e 30 de fundo. A gaiola deve ser colocada num local calmo, com boa
claridade e sem correntes de vento. Pode-se usar o ninho de corda para Canários
e, para maior proteção e segurança, deve-se camuflá-lo
com folhagens artificiais.
Média de vida: De 10 a 15 anos.
Porte: 12 cm.
Reprodução: A postura é de dois a três
ovos que são incubados por 13 dias. Os filhotes saem do ninho com 13
dias, e com mais ou menos 35 dias já se alimentam sozinhos e devem ser
separados dos pais.
Saúde: Pássaro de fácil criação
em cativeiro e bastante resistente, dificilmente contrai doenças. Porém,
para evitar problemas, convém mantê-lo longe de correntes de ar com
as instalações sempre limpas - trocar a água de banho e de
beber diariamente e não usar sabão para limpar os vasilhames.
Matéria baseada em texto escrito especialmente
para Cães & Cia, por Paulo Fernando Flecha, da
Sociedade Ornitológica Bandeirante. Redatora: Cristiane Perini
Lucchesi.
Foto: Luiz Henrique Mendes.
Prop.: Paulo Flecha, SP.
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