O SIMPÁTICO PÁSSARO-PRETO
Muito querido e manso, adora carinho, faz imitações,
dá alarme e gosta de cantar. Saiba mais sobre este verdadeiro pássaro
de estimação.
Ele
é um dos pássaros brasileiros mais populares. Manso, inteligente e
bastante esperto, conquista logo a simpatia. É encontrado do norte ao
sudeste do país, geralmente próximo às plantações
de cereais.
Na natureza já demonstra sua índole pacífica,
sendo menos arredio que os demais pássaros com as pessoas que lhe
oferecem alimentos e com as que ele esteja acostumado a ver nos arredores.
APRENDE FÁCIL
Em cativeiro, fica manso se pego desde filhote. Pessoas
desconhecidas provavelmente levarão uma boa bicada ao colocar o dedo na
gaiola, mas se for o dono, ele permite afagos, demonstrando prazer ao arrepiar
as penas do corpo. Torna-se muito sociável com os membros da família
ou pessoas que costuma ver com freqüência, aceitando carinhos de
todos. Geralmente, no entanto, demonstra preferência por uma pessoa
(geralmente quem o alimenta). Daí, faz mil coisas: atende pelo nome
respondendo com seu canto, se empoleira nos dedos e nos ombros e aprende uma porção
de outras.
Adora um cafuné. Quando coçamos sua cabeça
e a região do pescoço, fica todo arrepiado de satisfação.
Soares comenta que um bom cafuné lhe dá sono, às vezes
profundo. "Um de meus Pássaros-pretos, o Negro, quando eu coçava
sua cabeça, deixava-a cair juntamente com todo o pescoço. Depois,
eu o colocava de pernas para cima sobre a mesa e ele nem acordava de tão
profundo que era seu sono".
Quando alguém se aproxima fica agitado, parece querer
chamar a atenção. Canta bastante, mesmo que seja um estranho. Começa
a correr de um lado para o outro na gaiola e fica todo arrepiado. Seu canto,
nestes momentos, acaba sendo um tipo de alarme, sinalizando que alguém
está passando pelo local. Segundo Soares, o Pássaro-preto amansado
pode ser criado solto em casa, sem maiores problemas, pois "ele não
costuma fugir". O primo de Soares, Sérgio Augusto, criou um exemplar
solto em casa. "Ele se chamava Negrão. Quando chegava visitas que não
conhecia, tratava logo de voar até o chão, se aproximava dando uns
passinhos (o criador diz que ele anda e não pula como fazem muitos pássaros)
e começava a bicar o sapato dos convidados, fazendo a maior gritaria. Era
a atração da casa!".
OS TRUQUES
Eles são inteligentes e aprendem rapidamente as
coisas. Um dos Pássaros-pretos de Soares, por exemplo, atendia o seu
chamado com um estalar de dedos. Ele também pode ser ensinado a pegar e a
abrir coisas leves e até a desmanchar laços. Pega palitos de fósforos
da caixinha, puxa cigarros do maço, abre a tampa do açucareiro e o
que mais você consiga imaginar do gênero.
Sensível, se assusta com facilidade. Se ficar
medroso, poderá assim permanecer pelo resto da vida. Portanto, fique
atento para a reação dele à sua aproximação.
Evite criar situações que possam intimidá-lo em excesso.
Cuidado com cores muito fortes, como o vermelho; com o guarda-chuva e até
com os óculos quando for pegá-lo. Não dê pancadas na
gaiola ou tapinhas no passarinho. Se ele ficar com medo de você, será
um pássaro arredio, que dará bicadas e começará a se
debater na gaiola toda vez que você tentar tocá-lo.
CUIDADOS GERAIS
ALIMENTAÇÃO: Ração
específica para a espécie (encontrada em lojas especializadas) ou
do tipo dado a galinhas poedeiras. Acrescente diariamente: alpiste (1 xícara
de chá para cada quilo de ração), frutas (banana, maça
e mamão) e, a cada três dias, legumes (chuchu, tomate e jiló)
e verduras (chicória e almeirão).
SAÚDE: Resistente a doenças. Não se ressente
com frio ou calor, mas não se dá bem com correntes de ar. Se
demonstrar canibalismo arrancando as penas, pode ser causado por alimentação
inadequada ou falta de parceiro para procriar. No caso de falta de parceiro,
coloque fios de estopa - passados em salmoura (1colher de sal para um copo de água)
para desinfetar - pendurados na gaiola, assim ele passa a puxar os fios
e deixa de arrancar as penas.
REPRODUÇÃO: Casais em cativeiro desde filhotes têm
procriado com certa facilidade. O viveiro deve ter algumas árvores e
ficar em local sossegado, onde não haja circulação de
pessoas. A fêmea põe de 2 a 4 ovos por ano, sempre no final da
primavera. No cativeiro a época varia em função da mudança
de metabolismo da ave. Por ser nativo no Brasil, sua apanha em território
nacional é proibida. Pela legislação deve ser obtido em
criadouros autorizados pelo IBAMA.
Texto: Carmen Olivieri. Copydesk: Marcos Pennacchi.
Foto: Arnaldo Bento.
Prop.:
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