O
American Staffordshire Terrier e o American Pit Bull Terrier são bastante
confundidos. Conheça-os.
Eles
podem ser tão parecidos que criadores experientes os confundem. "Não
é para menos, o American Staffordshire Terrier e o American Pit Bull
Terrier são, na verdade, um só cão que seguiu rumos diferentes",
comenta Rangel Beker, que cria Staffordshires. Seu ancestral, o Staffordshire
Bull Terrier, até hoje bastante criado na Inglaterra, surgiu de um trabalho
feito por ingleses no início do século passado para criar um supercão
de brigas contra touros - prática comum naquela época. Aliava
a agilidade de alguns terriers com o físico poderoso e grande determinação
para brigar do antigo Buldogue Inglês.
Levado
logo aos Estados Unidos, o Staffordshire Bull Terrier passou por novos cruzamentos
para aumentar de tamanho. Seus descendentes resultaram em exemplares de portes
bem diferenciados. Criadores voltados para o temperamento de lutador destes
cães, obtiveram o seu reconhecimento com o nome de American Pit Bull
Terrier, em 1898, pelo UKC - United Kennel Club, uma entidade de influência
local.
CAMINHOS
A
expansão da cinofilia a partir do início deste século trouxe
um novo objetivo para a criação: as exposições de
beleza. Esta nova mentalidade faria surgir o American Staffordshire Terrier,
resultado do trabalho de alguns criadores de Pit Bull interessados em aperfeiçoar
a sua estrutura física e obter maior controle de seu temperamento. Para
conseguir isso, evitaram cruzar as linhas de sangue mais ferozes, assim como
as cores que indicavam recessividade por causarem problemas como despigmentação,
surdez e cegueira. Assim, eliminaram da reprodução exemplares
inteiramente brancos e os com olhos claros ou com nariz não preto, caso
dos exemplares vermelhos de nariz vermelho. Preferiram, também, cruzar
os de tamanho médio, já que os maiores lembravam mais os Pit Bulls
iniciais cruzados com outras raças maiores, e os menores se assemelhavam
ao ancestral Staffordshire Bull Terrier. Em 1936, os cães resultantes
desta criação foram reconhecidos pelo AKC - American Kennel Club
com o nome de Staffordshire Terrier (sem o "Bull" para diferenciá-los
do ancestral inglês). Em 1972, receberam a denominação American
Staffordshire Terrier e são agora reconhecidos também pela FCI
- Federação Cinológica Internarcional.
O
padrão oficial do American Staffordshire é, portanto, bem mais
restritivo que o do Pit Bull, o qual não dá importância
ao tamanho e aceita quaisquer cores (veja comparativo).
Enquanto
um bom Pit Bull é valorizado pela coragem, agressividade, resistência,
capacidade de lutar e morder, bons exemplares de American Staffordshire destacam-se
pela coragem, temperamento confiável e estrutura física bem proporcionada
e musculosa. "Para um Pit Bull, pouco importa a beleza ou perfeição
estrutural, desde que vença seus oponentes. No aspecto obediência,
o American Staffordshire deve largar a presa assim que ouvir determinado comando
- reação impensável para um Pit Bull, talhado para morrer
lutando, se preciso", diz Glenn Maciel, criador de American Staffordshires
e Pit Bulls. Através de décadas de cruzamentos orientados de forma
bem diferente, o temperamento dos American Staffordshires foi se afastando daquele
do Pit Bull original. "Nos melhores canis dos EUA, o Pit Bull deve ser
grande campeão para cruzar, o que significa vencer 5 combates com outros
Pit Bulls", conta Narciso Alvarenga, que cria Pit Bulls e tem American
Staffordshires. "Apesar de clandestinos, estes combates e seus vencedores
são registrados por um jornal pirata, o Dog Journal, sendo os filhotes
desses cães os mais recomendados para importação."
Diferentemente dos cães em geral, um Pit Bull é capaz de lutar
por horas. As provas são interrompidas pelo dono do cão em desvantagem,
usando uma tala de madeira posicionada verticalmente na boca de ambos os participantes
para impedi-los de continuar a morder. A fêmea também deve vencer
pelo menos um combate antes de reproduzir.
Às
vezes, até a fatalidade ajuda que os genes do melhor lutador prevaleçam.
"Por uma infelicidade, um macho Pit Bull fugiu do canil e matou outro,
o meu reprodutor na época", comenta Narciso. "O vencedor tornou-se
o novo reprodutor oficial." Com todo este histórico e forte herança
genética de lutadores, os melhores Pit Bulls dificilmente são
derrotados pelos melhores American Staffordshires. Atualmente, há criadores
de Pit Bull que estão selecionando a raça pela estrutura e há
quem o crie apenas como cão de estimação.
DIFERENÇAS
American
Staffordshires e Pit Bulls são devotados ao dono e a seus familiares.
Quanto ao convívio com outros cães, inclusive os da própria
raça, há variações conforme as linhagens. "Até
mãe e filho brigam desde pequenos. Não dá para deixar um
Pit Bull com outro, mesmo que seja um casal", afirma Glenn. Já a
experiência de Renato Malta é um pouco diferente. "A mãe
não briga com os filhotes e é possível ter dois Pit Bulls
adultos, desde que convivam desde pequenos e sejam de sexo diferente."
Quanto aos American Staffordshires, também não se pode definir
um único comportamento. "Possuo quatro fêmeas e dois machos
soltos, que convivem desde filhotes, e nunca brigaram", conta Glenn. Porém,
esta regra não é geral. "Minha experiência é
que os American Staffordshires brigam mesmo se acostumados desde filhotes, exceto
se for um casal", relata o criador Dieter Weihermann. Na guarda, os dois
possuem estilo de ataque determinado e mordedura das mais possantes. Como todos
os terriers, são muito atentos e agem rapidamente. Atacam estranhos (pessoas,
cães e outros animais) que invadam o seu território, não
só para defendê-lo como também devido ao forte instinto
de luta. Entretanto, há exemplares mais dóceis entre as duas variedades,
sobretudo entre os Pit Bulls, que apresentam maior variação de
temperamento. "Mas até estes preservam a inclinação
genética para atacar", diz Glenn. Na rua, nenhum dos dois costuma
atacar desconhecidos, inclusive os Pit Bulls de linhagens mais agressivas. "Isso
só acontece se a pessoa esboçar um gesto ameaçador a eles
ou a quem os estiver conduzindo", diz Guilhermo Thompson, criador de Pit
Bull. Em casa, os dois podem conviver com visitas, desde que estejam habituados
a isso desde pequenos.
Quem
tiver um cão registrado como American Staffordshire Terrier poderá
registrá-lo também como American Pit Bull Terrier (o inverso é
impossível) nas entidades que aceitam o Pit Bull, todas norte-americanas.
Além do UKC, o Pit Bull atualmente é reconhecido também
pela ADBA - American Dog Breeders Association e o IKC - International Kennel
Club, mas continua sem reconhecimento oficial internacional.
FICHA
Escolha do filhote: O American Staffordshire e o Pit Bull devem
ser vivos, desinibidos, valentes, com os ossos pesados, peito saliente e largo,
cabeça e traseira largos, cauda grossa, dorso reto, focinho curto (com
cerca de 1/3 do comprimento do crânio). Para saber o temperamento e tamanho
provável do adulto, verifique como são os pais.
Cuidado: muro alto é imprescindível (2,5m
de altura).
Criadores: American Staffordshire - 1) Alberto Villalobos,
Canil Villalobos's, Araranguá- SC, tel. (048) 522-0120; 2) Glenn Maciel,
Canil Gameness, Porto Alegre - RS, tel. (051) 485-1245; 3) Rangel Beker, Canil
Conventos, Araranguá - SC, tel.(048) 524-1546; 4) Dieter Weihermann,
Canil Apple Flower's, Joenville - SC, tel. (0474) 22-6274; 5) Pedro Costa, Canil
Von Frankenberg, Maceió - AL, tel.(082)231-0611.Pit Bull - 1) Guilhermo
Thompson, Canil Thompson, Cotia - SP, tel.(011)492-7154; 2) Narciso Alvarenga
Neto, Canil Pit Bull's Only, Belo Horizonte - MG, tel (031) 384-4092; 3) Renato
Malta, Canil Campos de Malta, São Caetano do Sul - SP, tel. (011)743-1167;
4) Oleg Schevciw, Canil Star Rise, São Paulo - SP, tel. (011)572-3566.
Para ler: 1. This is The American Pit Bull Terrier, de
Richard F.Stratton; 2. How to Raise and Train a Staffordshire Terrier , de Edwin
E.Rosenblun; 3. The Staffordshire Terrier , American Staffordshire Terrier and
Staffordshire Bull Terrier, de Anna Katherine Nicholas. Todos da TFH Publications,
Neptune City, NJ, EUA.
Agradecemos aos
entrevistados inclusive pela revisão técnica deste texto, feita
também pelo juiz de todas as raças, José Peduti Neto.
Reportagem e redação: Mariana Viktor.Edição de texto:
Marcos Pennacchi
Foto.: Luiz Henrique Mendes
Prop.: Canil Villalobo's


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