Cães
Gatos
Aves
Outros

 

Google
 

BOXER: UM CÃO PARA MUITA GENTE

 

Conhecido, consagrado e versátil. Não é à toa que ele seja o cão ideal para pessoas com necessidades tão diferentes

Por um lado, lá está ele: nas últimas duas décadas contabilizando de dois a três mil filhotes ao ano e ocupando o seleto grupo das dez raças mais registradas no País. Por outro, do início dos anos 80 para cá, muita coisa aconteceu na cinofilia nacional: quase 30 raças até então inéditas no Brasil começaram a ser criadas; algumas, praticamente da noite para o dia, viraram verdadeiros fenômenos de popularidade; outras, pouco a pouco, foram galgando seu espaço.
E o fato, independente das causas, é que o Boxer, apesar da estabilidade na quantidade anual de exemplares, perdeu mais de 50% de sua representatividade frente a todas as raças.

PÚBLICO DIVERSO

Estatísticas à parte, o Boxer sempre agradou e continua agradando a um público bastante diversificado. "Pessoas com as mais variadas necessidades optam pela raça", comenta o criador há 25 anos Gilberto Rocha. "Boa parte dos compradores de Boxers quer um cão de companhia e de guarda", diz a presidente da Sociedade Paulista do Boxer, Regina Colonéri. "Muitos estão em busca de um cão paciente e afetuoso com crianças", acrescenta a criadora há dez anos Beatriz Dotorovici.
"Outros procuram por um cão atleta, apto a acompanhar o dono em atividades esportivas", observa Regina.
"Há quem escolha o Boxer por querer um cão de porte médio-grande que se adeque bem a apartamento", completa Rocha. "Há quem decida pela raça por enxergar nela o estilo 'cão de família', que acompanha os donos em todos os lugares, que é fácil de cuidar e de transportar", fala Beatriz.

CONVÍVIO

"O Boxer é muito apegado às pessoas da casa, faz questão de ser companheiro de todas elas e raramente elege de forma clara um único dono na família", descreve Rocha.
"É um cão que gosta de ficar perto da gente, do tipo que segue os donos pela casa e se instala, preferencialmente, onde a família está reunida", ilustra Beatriz. "Volta e meia vem pedir um agrado, mas, a menos que seja estimulado, não costuma ser exagerado, solicitando festas e brincadeiras de forma inconveniente", acrescenta Regina.
A única exceção ocorre quando as pessoas chegam.
"É característica do Boxer recepcionar familiares e amigos com pulos de alegria", diverte-se Rocha. "Driblar cem por cento essa característica é quase impossível, mas, educando o filhote desde cedo, é possível controlá-la a ponto de não se tornar uma mania desagradável", aconselha.

Com crianças, a tolerância da raça já se tornou proverbial. "Trata-se de um cão protetor, que tem naturalmente a percepção da fragilidade das crianças e, por isso, tende a tratá-las de forma especial, paciente e cuidadosa", resume Rocha.
"Parece incrível, mas normalmente nem pulam sobre elas."
Com outros animais, aplica-se a regra válida para a maioria dos cães: "Se acostumado desde pequeno, convive bem; senão, pode haver problemas, principalmente entre exemplares do mesmo sexo", fala Beatriz.

Moderadamente ativo, o Boxer concilia a incansável disposição para praticar exercícios com a calma oportuna para nos fazer companhia nas horas de descanso. "Esse é um dos motivos que o tornam adequado para viver tanto fora como dentro de casa", avalia Rocha.
"Ele não fica correndo de um lado para o outro, procurando o que fazer a cada momento; sabe ser agradável e gosta de ficar tranqüilo quando nós também estamos tranqüilos", diz Beatriz.
"Mas, se quisermos atividade, é só chamar; um Boxer nunca se recusa a andar, a correr ou a praticar qualquer outro esporte", afirma Rocha.
"Ele inclusive precisa de exercício; se o dono não puder propiciá-lo, deve ao menos oferecer espaço para que o cão possa andar e dar suas corridinhas", recomenda Beatriz. "Pelo menos uma boa caminhada ao dia é necessária para o Boxer manter a musculatura definida e gastar sua energia", confirma Regina.

Quanto à obediência, o Boxer pode não estar entre os tops mas também não compõe aquele perfil de cão independente, que para alguns acaba sendo um problema. "Por ser uma raça muito atenta a tudo o que está acontecendo ao redor, em alguns momentos sua atenção se desliga do treinador e se volta para outra coisa, o que a torna, conforme comentam alguns adestradores, mais difícil de ser adestrada", conta Beatriz. Mas isso não quer dizer que não seja adestrável.
O mundo está repleto de Boxers competindo e obtendo bons resultados em provas de obediência. E no que se refere à educação básica, de impor as regras da casa, o Boxer é um cão especialmente fácil de conduzir. "Ele quer agradar aos donos e não desafiá-los ou testá-los, como ocorre com várias raças; por isso, tornar um Boxer bem comportado costuma acontecer de maneira simples e quase natural", explica Regina.
"Basta educar o filhote desde pequeno, festejando-o quando faz o que queremos e desaprovando-o quando faz o que não queremos", resume Rocha. "É claro que filhotes, independente de raça, sempre são travessos, mas, passada essa fase, o Boxer dificilmente se torna destrutivo ou bagunceiro", atesta Regina.

Como guarda - função original da raça e para a qual ainda é muito utilizada -, o Boxer costuma atuar bem. É verdade que sua aparente sociabilidade com pessoas desconhecidas gera dúvidas sobre a eficiência com que desempenha o papel de guardião.
Esse foi, inclusive, o tema da reportagem sobre a raça na edição de junho de 1997. Lá foi dito e comprovado aquilo que quem conhece a raça sabe bem: o Boxer é, sobretudo, um cão de guarda. Porém simplesmente não tem o estilo mais agressivo comum a vários outros cães. "Ele prefere, a princípio, um contato amigável; é um anfitrião, mas se precisar ficar agressivo, fica", diz Regina.
"Não é daqueles que têm de ser presos quando chegam visitas", acrescenta Rocha. "Possui serenidade suficiente para permanecer socialmente com gente que não conhece bem, tornando-se agressivo apenas se, de fato, ocorrer uma situação de ameaça", completa.
"Não há nada de errado com um Boxer que festeja aos pulos as visitas bem recebidas pelos seus donos nem com aquele que aceita numa boa eventuais mudanças de empregados", exemplifica Beatriz.
"O Boxer só reage agressivamente quando alguém desconhecido age agressivamente ou de forma atípica, como aparecer de repente e desacompanhado de seus donos", explica Rocha.

Mas, como qualquer raça está sujeita a desvios de temperamento, não é impossível adquirir um Boxer sem instinto de guarda. "A dica, além de conhecer o temperamento dos pais do cão, é observar se ele é atento, curioso e corajoso", sugere Regina. "Um Boxer que, ao ouvir um barulho estranho, levanta e vai em direção ao som de maneira determinada, às vezes até latindo, a fim de averiguar o que está havendo, está agindo de acordo com o que se espera da raça e possivelmente tem o instinto para guarda", conclui.


em@il: PETBRAZIL

Copyright © 1996-2009 PetBrazil. Todos direitos reservados. All rights reserved.
Cães & Cia seu site de estimação