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FILA BRASILEIRO
ORGULHO

 

Ele é o maior e mais imponente dos cães brasileiros, também é o mais antigo a obter o reconhecimento como raça internacional.
Acompanhe esta grande reportagem sobre o Fila abordando um assunto inédito: a bem-vinda possibilidade de os filhotes da raça só receberem pedigree caso seus pais tenham temperamento comprovadamente equilibrado.
E não perca o perfil geral do nosso superguardião, com informações a respeito de convívio, saúde, cuidados e aparência ideal INIMAGINÁVEL

No Brasil, para a principal entidade cinófila, a Confederação Brasileira de Cinofilia (CBKC), emitir um pedigree basta - exceto em se tratando da raça Pastor Alemão - que o pai e a mãe do cão em questão também tenham pedigree. Não importa se os progenitores correspondem bem ou mal às características físicas e temperamentais descritas como corretas para a raça à qual pertencem. Importa somente se são puros.

Ou seja, o pedigree funciona como um atestado de pureza racial, porém não de boa qualidade. Mas com o Fila Brasileiro já foi diferente. Ou pelo menos a intenção era de que fosse. Por um curto período de tempo durante a década de 70, para um filhote de Fila ter direito ao pedigree da CBKC era obrigatório que seus pais tivessem o chamado APR.

Isso é, um documento informando que o cão estava apto à reprodução. Só recebiam o documento os exemplares que participassem de uma exposição de beleza sem que fossem desqualificados e que conseguissem ser aprovados num teste de temperamento. "A CBKC realmente fazia essa exigência", confirma Sérgio Castro, atual presidente da entidade.

"Quando alguém requeria pedigrees para uma ninhada, os Kennels filiados à CBKC solicitavam o APR dos pais e só registravam os filhotes com a apresentação do documento", explica o criador e presidente da Sociedade Paulista do Fila Brasileiro, Sebastião Pires Vicente. DEPOIMENTOS
O objetivo dessa determinação não podia ser melhor: zelar pela qualidade da raça. Afinal, em tese, só receberia pedigree o cão filho de exemplares com aparência física típica do Fila - do contrário teriam sido desqualificados na exposição de beleza - e com temperamento considerado adequado - do contrário não passariam no teste.

Com o tempo, contudo, tanto a exigência do APR quanto a própria prova de temperamento foram sendo deixadas de lado, até se extinguirem de vez. Independentemente dos motivos que levaram a isso, houve um crescente e positivo questionamento a respeito do teste temperamental.

Ele era composto por dois exercícios. O primeiro, chamado ataque com vara, avaliava a reação do cão a um desconhecido que, embora não encostasse nele, ameaçava-o gesticulando furiosamente com uma vara na mão.
O resultado desejado era que o cachorro respondesse com agressividade, latindo e tentando avançar no agressor. O segundo exercício era uma prova de tiro, na qual se davam dois disparos de festim a uma distância de cinco metros do cão. A atitude correta do exemplar testado era demonstrar atenção, curiosidade e destemor.
"Uma prova com apenas esses dois exercícios é muito superficial e incompleta", avalia o zootecnista e especialista em comportamento animal Alexandre Rossi. "Qualquer cão corajoso se sai bem, inclusive os desequilibrados", acrescenta.

Como a intenção desse tipo de teste é justamente verificar se o cão alia coragem e poder de iniciativa, qualidades fundamentais a um guardião, com equilíbrio, outro atributo igualmente fundamental, a prova não cumpre o propósito para o qual foi elaborada.
É aí que vem a boa notícia. Os fileiros, pelo menos a grande maioria deles, concordam que a aplicação de uma prova de temperamento é importante.
Também concordam que é importante para a qualidade da raça que apenas cães aprovados no teste gerem filhotes com direito ao pedigree.
"Se um teste desses é bem formulado e bem aplicado, pode-se dizer que o adulto nele aprovado não tem desequilíbrios temperamentais adquiridos ou de ordem genética; logo, seus filhotes têm menor probabilidade de herdar problemas de comportamento geneticamente transmissíveis", explica Rossi.
Com a vantagem disso em mente, a criação de Fila ligada ao sistema CBKC já está propondo uma nova e mais complexa prova de temperamento (veja quadro abaixo).
Composta por cinco exercícios, foi considerada por Rossi como adequada para uma avaliação segura sobre o temperamento dos cães.
"Essa prova permite não só analisar se o cão é corajoso, mas também se é equilibrado", afirma Rossi.
"Ela simula situações do cotidiano que colocam em jogo justamente o equilíbrio do cão, a capacidade de ele discernir entre o que é ameaçador e exige uma atitude agressiva e o que não é e deve, portanto, ser admitido pacificamente por ele", explica. Rossi se refere, por exemplo, à simulação feita no primeiro exercício, na qual uma pessoa desconhecida se aproxima do dono do cão e gentilmente estende a mão para cumprimentá-lo. Como não há nenhuma ameaça à vista, o bom cão de guarda, embora deva ficar atento, tem de aceitar o acontecimento com serenidade. Não pode reagir de forma hostil.

Ainda não se sabe, no entanto, se essa prova será instituída na criação. "Ela já foi aplicada em caráter experimental em duas exposições caninas, uma em Goiás e outra no Pará, e funcionou bem, mas ainda estamos abertos a sugestões e modificações", anuncia o presidente da Comissão Nacional do Fila Brasileiro da CBKC, Felipe Xacur Baeza. A idéia dos dirigentes da criação da raça é debater o assunto na exposição nacional de Filas, prevista para ocorrer no mês que vem, na cidade de São Paulo. "É provável que durante o evento a prova seja aplicada para efeitos demonstrativos", planeja Vicente.

"Depois, pretendemos tanto discutir a respeito da necessidade ou não de eventuais mudanças, como fazer uma votação entre os criadores para que se defina se a prova será ou não obrigatória", esclarece.
Caso se vote a favor da obrigatoriedade, o Fila só tem a ganhar: além de a CBKC passar a emitir pedigree somente para filhotes de cães aprovados no teste e não desqualificados numa exposição de beleza, os adultos, como também ocorria no passado, só poderão obter o certificado de Campeão de Beleza caso passem na prova.

Em se tratando de uma raça de guarda grande e poderosa como o Fila, fazer com que apenas os filhos de exemplares com temperamento testado e aprovado recebam pedigree e também exigir que aqueles que seguem carreira nas pistas tenham seu temperamento testado é um exemplo de criação séria e empenhada em preservar a qualidade da raça e a segurança da comunidade.

Em tempo: o Clube do Aprimoramento do Fila (Cafib), entidade independente do sistema CBKC e que promove seus próprios eventos, só emite pedigree - lá chamado inicialmente de registro de origem - para cães cujos pais tenham participado de, pelo menos, uma exposição e recebido qualificação "boa" tanto na análise da aparência física, como na do temperamento.
O único senão é que a prova de temperamento adotada é praticamente igual à abolida pela CBKC e, como tal, só atesta coragem e não equilíbrio.



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