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Vanguarda Urso branco dos cães
Kuvasz


Quer um guardião raro, imponente e ponderado? O Kuvasz pode ser boa opção. Embora incomum no mundo todo, ele encontra no Brasil seu segundo maior polo de criação. Fica atrás apenas da Hungria, seu país de origem, onde, no ano passado, registrou 212 nascimentos. Aqui, foram 183. Ainda assim, numa nação continental como a nossa, onde a principal entidade do segmento contabiliza cerca de 90 mil cães por ano, os números obtidos pelo Kuvasz fazem dele uma figura canina das mais desconhecidas. "Fora do ambiente cinófilo, quase ninguém conhece a raça", observa o criador Alexandre Xavier."Pelo menos 90% das pessoas não têm ideia de que cão é esse", concorda a criadora Anita Vergueiro. Seja nos jardins das casas, seja passeando nas ruas, a raridade de encontrá-lo por aí é significativa e colabora para transformá-lo em verdadeiro astro por onde passa. Claro que seu visual dos mais chamativos também tem peso fundamental no interesse que desperta. "Muita gente fica impressionada com o Kuvasz e se aproxima para fazer perguntas", conta Xavier. "Ele é grande, forte, peludo, todo branco; não passa despercebido."

Adeus às onças
Maior e mais pesado que um Pastor Alemão, o Kuvasz, pelo porte avantajado e pelagem alva e densa, é chamado por alguns de urso branco dos cães. Como tal, alia aparência amável digna de ícone de bichinhos de pelúcia a temperamento territorialista. Não com familiares, claro. Mas sim com intrusos e supostos agressores. Em certos casos, ursos de verdade. O Kuvasz foi desenvolvido para guarda de rebanhos, função até hoje desempenhada por ele, embora em menor escala. Em nome de manter a salvo seus protegidos, não hesita em assumir postura ameaçadora diante de todo tipo de animal de grande porte que os coloquem em risco, a exemplo de lobos, ursos e felinos. Até mesmo no Brasil, em fazendas do Sul, Sudeste e Centro-Oeste, a raça tem sido usada para defender rebanhos do ataque de onças. "De cada dez exemplares que vendo,três são adquiridos por fazendeiros para essa finalidade", diz Xavier. O mesmo ocorre na criação de Anita: "Cerca de 30% dos meus cães são destinados a combater a ação predatória das onças." A atuação do Kuvasz parece agradar aos donos de rebanhos. "Nossos clientes garantem que as onças pararam de atacar os animais", conta a criadora.
Que ninguém imagine um Kuvasz se engalfinhando com esses grandes felinos. O instinto de se manter afastado deles é justamente um dos segredos de seu sucesso. "Já houve tentativas de empregar outras raças de porte grande nessa tarefa, mas os cães partiam para cima das onças e acabavam mortos por elas", comenta Xavier. Já o Kuvasz, aprimorado por séculos para a função, é graduado no assunto. "Ele não se aproxima demais delas; em vez disso, apresenta uma encenação de extrema ferocidade, com direito a latidos, rosnados, dentes arreganhados e ameaças de ataque, o que acaba as afugentando", explica. Essa mesma performance é adotada por esse cão na guarda residencial, colaborando para manter distantes os mal-intencionados. "Nunca soube de assaltos em casas guardadas por um Kuvasz", afirma o criador. Sua conduta na guarda se destaca pelo caráter preventivo. Para esse cão, mais vale evitar que remediar. Se o confronto físico com o agressor for inevitável, ele luta com valentia. Mas, ao contrário de certos guardiões, não tem ímpeto de ataque especialmente pronunciado. Faz mais o gênero canino que acua primeiro, proporcionando ao intruso a chance de sair ileso. Avançar é opção última. Perfil esse, merece registro, em sintonia com as preferências atuais da sociedade.

 

Tolerância
Parte integrante de um guarda ponderado é a receptividade a visitas bem recebidas pelos donos. Mas vale frisar: na ótica canina, gestos bruscos e tom alto de voz por parte dos convidados tendem a ser encarados como ameaças, dignas, em certos casos, de ser reprimidas. Considerando que os visitantes estejam orientados a se comportar de forma não muito efusiva, é consenso que o Kuvasz não precisa ser preso diante da presença deles. "Sempre recebo gente e deixo os cães soltos; até meus exemplares de comportamento mais dominante aceitam bem nossos amigos", atesta Xavier. Aceitá-los bem não significa festejá-los nem agir de forma íntima em relação a eles. A raça é de guarda. É natural e até esperada certa reserva com pessoas de fora da casa.

Com os donos, é apegado. Não absorvente. "Comemora nossa chegada, fica sentado ao nosso lado, mas não fica nos seguindo pela casa e também se afasta para tomar sol e se exercitar no jardim", ilustra Anita. A independência da raça é necessária à sua função. O Kuvasz, seja guardando rebanhos, seja guardando residências, trabalha a maior parte do tempo sem parceria humana. Em geral, tem de decidir sozinho o que e como fazer. A contrapartida dessa característica é a predisposição não muito alta à obediência. É possível treiná-lo e obter bons resultados. Só não espere dele a rapidez de aprendizado e a prontidão para acatar ordens demonstradas por Pastores Alemães, Labradores e afins. A boa notícia é a raça não ser das mais travessas e destruidoras. Daí, de forma geral, suas teimosias não prejudicarem o bom convívio. "Passada a infância, quando todo cão é mais arteiro, o Kuvasz costuma ser comportado", diz Xavier. "Pode até fazer uma bobagem de vez em quando, como cavar um buraco no jardim, mas nada grave nem frequente." Os donos, claro, têm de fazer sua parte. Mostrar limites desde cedo e educar o cão com firmeza e respeito são dicas básicas. Junte-se a isso estímulo físico. Esse cão precisa de exercício diário. Do contrário, vai gastar a energia onde não deve. Resistente e ativo, é bom parceiro de esportistas e de crianças espevitadas, com as quais é bastante tolerante. Em relação a animais, como gatos e aves, o Kuvasz é daqueles cuja adaptação é viável mesmo com exemplares apresentados tardiamente. E o convívio com outros cães merece ressalva: dois Kuvasz machos nem sempre se aceitam assim como um Kuvasz macho e outro macho de raça dominante.

Filhotes de parar o trânsito: No Brasil, vários deles crescem em fazendas, e quando adultos, protegem rebanhos de ataque de onças

 

Os Consultores
Alexandre Xavier cria Kuvasz há 13 anos, tem 12 exemplares e é dono do canil Montanha do Arapy, de São Paulo, 2º melhor da raça pelo ranking CBKC de 2007.
Anita Vergueiro cria Kuvasz há 13 anos, tem cerca de 20 exemplares e é uma das donas do Kuvaszok Kennel, de São Paulo, melhor da raça pelo ranking CBKC de 2007 e 2008.

 


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