SHIH TZU: MAIS FAMOSO A CADA DIA


Confira o que dizem donos e criadores sobre o convívio com esse emergente cãozinho que vem conquistando o coração do brasileiro

 

Os noveleiros de plantão certamente se lembram: por vários meses seguidos, um simpático Shih Tzu preto e branco teve atuação de destaque na trama global Desejos de Mulher, que foi ao ar até o final de agosto.
O cãozinho, chamado Igor na novela, era o parceiro inseparável do personagem Tadeu Borges, vivido pelo ator Otávio Müller.
E não há dúvida de que a exposição quase diária do astro canino colaborou bastante para a maior popularização da raça.
Mas o inverso, aparentemente, também é verdadeiro: um dos fatores que levou o Shih Tzu a ser eleito pela produção está, tudo indica, relacionado a sua maior popularização.
A equipe precisava de um cão pequeno, peludo e exuberante, que simbolizasse perfeitamente a mascote de luxo, de colo.
A primeira opção sugerida pela consultoria cinófila da Globo, sem nem necessidade de maiores pesquisas, foi o Shih Tzu.
Caso ele já não estivesse na mente das pessoas, dificilmente o indicariam de forma tão pronta. Logo, se a novela tivesse sido produzida até meados dos anos 90, faz sentido supor que esse glamouroso cãozinho não faria parte do elenco. É que até 1995 a raça não registrava nem 300 nascimentos por ano.
Foi só dessa época para cá que começou a ganhar espaço na cinofilia nacional. E não parou mais. Em 1996, entrou para o grupo das 30 raças com maior número anual de filhotes nascidos e registrados.
Em 1999, já estava no grupo das 25. Em 2000, figurou entre as 20 mais.
Por fim, no ano passado, o último com dados disponíveis, ficou em 120 lugar entre as mais de cem raças criadas no País, ultrapassando - pela primeira vez na trajetória nacional da raça - a marca dos dois mil nascimentos registrados.
Não há mistério em tanto sucesso: raças de porte pequeno são adequadas a todos os tamanhos de moradia e são fáceis de manusear e transportar. Se forem bem peludinhas, tanto melhor.

Embora dêem mais trabalho com manutenção que os cães de pêlo curto, basta uma rápida analisada nas estatísticas de registros caninos para que se conclua que, entre raças pequenas, as preferidas do brasileiro têm sido as de farta pelagem.
"É porque visualmente são mais atraentes, mais fofas; lembram bichinhos de pelúcia", explica a criadora Luciene de Oliveira, do interior paulista, que se dedica a vários peludos-pequenos, como o Shih Tzu, o Yorkshire, o Maltês e o Poodle Toy.

CHEIO DE AMOR

Como a maioria dos cães, o Shih Tzu tende a eleger um dono principal. Contudo, diferentemente de muitos deles, faz sua escolha de forma mais sutil.
"Só dá para identificar o preferido de um Shih Tzu porque é ligeiramente mais festejado", comenta Maria Amélia dos Santos Snell, que cria a raça há 11 anos, no Rio de Janeiro

"Caso todos os familiares o chamem ao mesmo tempo, ele se dirige primeiro ao dono número 1", ilustra o criador Guilherme de Berrêdo Martins, de São Luís, que se dedica ao Shih Tzu desde 1983.
Logo em seguida, no entanto, como se quisesse evitar sentimentos de rejeição, cumprimenta entusiasticamente cada um dos integrantes da família.
"Ele não é de permanecer tempo integral ao lado do dono eleito; ao contrário, o Shih Tzu é um companheiro familiar, cada hora fica com uma das pessoas",
observa o carioca Eduardo Teixeira, que se dedica à criação da raça há 12 anos.
E é provavelmente por saber dividir seu afeto com todos que o Shih Tzu costuma aceitar sem restrições que as pessoas façam o mesmo.
"Há certas raças nas quais é comum encontrar exemplares ciumentos e possessivos, que elegem um dono e, depois, rosnam e até avançam em quem se aproximar dele; esse fenômeno não se vê em Shih Tzus ou, pelo menos, é muito raro", compara Berrêdo Martins.
"É um cãozinho que permite que seus donos se relacionem com outras pessoas sem manifestações de agressividade; e, é bom que se diga, ele realmente dá atenção à família inteira mas também a cobra de volta", avisa Luciene, que cria Shih Tzus há seis anos.
Isso mesmo. O Shih Tzu é amoroso, porém literalmente pede que seu amor seja retribuído. Não que faça isso de forma exagerada ou inconveniente. Mas pelo menos algumas vezes por dia ele solicita os donos. "Convida-nos para brincar trazendo seus brinquedos, pede colo e põe a cabecinha sob nossas mãos para ganhar um cafuné", exemplifica Luciene.
"Em definitivo não se trata de uma raça independente, do tipo que não exige afeto e que até gosta de ficar distante", concorda Maria Amélia.
Daí não ser a opção mais indicada para quem precisa deixar o cão sozinho por períodos prolongados.
"O Shih Tzu sofre muito com isso e, caso se sinta abandonado, é comum que se torne pirracento", avisa Teixeira.

Em outras palavras, embora a grande maioria dos exemplares, se educada com respeito, liderança e presença dos donos, aprenda ainda na infância a fazer suas necessidades no lugar determinado e também abandone o hábito de "experimentar" móveis e pertences da família, tais aprendizados podem ser temporariamente relegados em sinal de protesto.
O criador ilustra: "Se saio por algumas horas, os três exemplares que moram dentro de casa sempre aprontam alguma coisa; já fizeram até xixi em cima da cama.
" A criadora Luciene também vive situações semelhantes:
"Quando vou jantar fora, muitas vezes encontro um objeto roído como o personagem da novela, que vivia nos braços do dono e nunca aparecia brincando ou fazendo qualquer atividade", pondera Berrêdo Martins.
E não se trata de uma raça indicada para quem busca um companheiro nos esportes.
"A cana nasal do Shih Tzu é curta, o que dificulta sua respiração, fazendo com que se canse rapidamente", avisa Luciene.
"Além disso, o fato de ser peludo e calorento também contribui para que não tolere grandes doses de exercício", acrescenta Maria Amélia.
Quanto à vasta pelagem, requer atenção. Se mantida longa até o chão ou em comprimentos similares, é preciso escová-la no mínimo dia sim, dia não.
Do contrário, formam-se muitos nós. Já se aparada com cerca de cinco a dez centímetros de comprimento - a chamada "tosa-filhote" -, as escovações podem ser reduzidas a uma ou duas vezes por semana.
Mas não menos que isso.
"Mesmo com a pelagem mais curta, os pêlos acabam embaraçando e, caso embolem demais, desembaraçá-los torna-se difícil para nós e doloroso para o cão", comenta Berrêdo Martins.
Um aspecto positivo da vasta pelagem é que solta pouco pêlo. "O Shih Tzu, opostamente a algumas raças peludas, não passa por muda intensa em nenhuma fase do ano", diz Teixeira.

UM SHIH TZU EXEMPLAR

A primeira vez que a tecelã Carmen Rizzato viu um Shih Tzu foi há cerca de quatro anos, no calçadão de Ipanema, no Rio. Como ela mesma diz, foi amor à primeira vista.
Naquele dia, perguntou aos donos do cãozinho o nome da raça e voltou para a casa decidida a presentear o marido, Milton, com um exemplar.
"Já fazia um certo tempo que queria dar um cachorrinho para meu marido. Ele tinha ficado muito triste com a recente morte de seu mestiço de Teckel. Além disso, estava para fazer aniversário.
Era uma boa oportunidade para lhe dar um presente bem especial; e um cão, para quem adora animais como nós, é sempre especial, sempre vem para acrescentar, para trazer alegria.
Assim, procurei um canil de Shih Tzu e comprei a Ling. Ela tinha 3 meses, hoje está com 3 anos e meio.
Milton ficou louco de alegria. E eu também.
Acho impossível que haja alguma raça mais dócil e afetuosa que essa.
Ling dorme com a gente, e nem sei quem é seu dono preferido.
De noite, quando vou ler no quarto e meu marido prefere ver TV no escritório, ela - em vez de optar por ficar com um dos dois - acaba se deitando num ponto estratégico do corredor, onde pode ver a ambos.
É uma graça. Ela fica virando a cabecinha de um lado para o outro, observando a ele e a mim. Já durante o dia, como fico mais em casa, Ling me segue o tempo todo.
Se tomo banho, entra no banheiro e me espera.
Quando faço tear manual, deita-se no meu colo ou ao meu lado. Com Milton, também é um grude.
Até ele mudar de carro, o que aconteceu recentemente, ela reconhecia sua buzina e corria para a porta antes que entrasse em casa.
E olha que moramos no sexto andar. Já a buzina nova, Ling ainda não identifica. Mas acho que é questão de tempo, porque é uma cadelinha espertíssima.
Ela reconhece a campainha da frente e a dos fundos, e já se dirige para a porta certa. Eu sou incapaz de diferenciar os dois toques e a uso como guia.
Espero que vá para a entrada que está tocando, e a sigo.
Também entende várias palavras. Se escuta alguém dizer 'passear', já corre em direção a sua coleira, que fica pendurada na área de serviço e começa a pular na frente dela.
Ela ama sair. De carro, vai olhando a paisagem pela janelinha. E faz um sucesso incrível. Todos a acham linda. Para completar, é sociável. Abana o rabo para todo mundo.
Às vezes, também a levamos para o sítio da minha cunhada, onde tem um Schnauzer. Ling se dá muito bem com ele. Aliás, com cachorros em geral.
Quando caminhamos pela rua, fica querendo brincar com qualquer cão que apareça, mesmo com os grandes e aparentemente enfezados.
Para apartamento, considero-a ideal. Uma verdadeira maravilha. Para começar, praticamente não late.
Também aprendeu em cerca de três meses a fazer xixi no lugar certo e a não estragar nosso mobiliário.
Eu me encarreguei de educá-la. Estava sempre por perto, fiscalizando-a, corrigindo os erros e parabenizando os acertos. E embora seja bem peluda, solta pouco pêlo. Ling adora ser escovada.
E a gente adora escová-la. É quase uma terapia. Todo dia, meu marido ou eu a penteamos na frente da TV. Mantemos sua pelagem comprida, mas não a ponto de esbarrar no chão.
Por isso, a cada dois meses precisamos apará-la. É meu marido mesmo quem a corta."

UM SHIH TZU PARA ALEGRAR MINHA FILHA

 
em@il: PETBRAZIL