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SPITZ ALEMÃO: UMA BOLA DE PÊLOS
Conheça os tamanhos e o tipo físico ideal para a raça

Ele parece uma bola de pêlos se movendo. É assim que muitos criadores definem a aparência do Spitz Alemão, uma raça com cinco variedades de tamanho, sendo que as duas menores - a Anão e a Pequena, também conhecidas por Pomerânia ou Lulu - são as mais criadas no Brasil. A aparência de bola peluda, pra lá de fofa, é obtida na sua melhor forma quando o comprimento do corpo do cão é igual à altura.

Os criadores sabem há muito tempo que o Spitz deve ter tal proporção, tanto que interpretam dessa forma a exigência do atual padrão usado aqui, da Federação Cinológica Internacional (FCI), que pede um cão de "dorso o mais curto possível". Mas o documento não indica a proporção exata. Apenas num padrão mais novo, da FCI, de 1992 - ainda não traduzido oficialmente para o português, mas que Cães & Cia publica nessa reportagem -, é que a descrição passou a ser específica: "A relação entre a altura na cernelha e o comprimento do corpo é de 1:1."

Enquanto a criação mundial se concentra nesse tipo de Spitz, apelidado pelos criadores de compacto ou quadrado, há um outro muito comum: o de dorso mais comprido, chamado também de tipo retangular.

Tanto na Europa como nos Estados Unidos, esse mais alongado, apesar de indesejável, continua aparecendo. "Nos Estados Unidos, é bastante comum nascer exemplares alongados", relata a responsável pelo atendimento do American Pomeranian Club, e criadora há 24 anos, Jane Lehtinen. "Ainda que indesejável, criadores preocupados exclusivamente com vendas preferem fêmeas alongadas, pois dão mais filhotes", acrescenta Jane.

No Brasil, a maioria dos criadores de Spitz tem em seu canil pelo menos um exemplar comprido. Ele nasce até do acasalamento entre Spitzes "quadrados". "Comecei a criar com exemplares quadrados e mesmo assim nasceram alguns com o dorso alongado", atesta Evelyn Luza de Abreu, criadora há 15 anos pelo Fox’s Kingdom Kennel, em Recife.

O aparecimento do tipo alongado em ninhadas cujos pais são quadrados pode ser estranho à primeira vista. Mas basta folhear livros de arte de séculos passados e mesmo do início do século 20 para achar a explicação: os Spitzes retratados são compridos, menos peludos e também maiores que os atuais Anão e Pequeno. Por isso, designar o mais comprido como o tipo antigo e original de Spitz e o quadrado como o moderno, a exemplo de alguns criadores, é correto. O valor histórico do tipo retangular é que por meio dele se obteve o Spitz quadrado, que hoje rege a criação. "Mas o tipo retangular não é desejado por qualquer padrão", comenta a cinóloga Hilda Drumond.

TIPO QUADRADO

Esse é o tipo ideal. Ou seja, com a proporção entre a altura na cernelha (ponto mais alto do dorso) e comprimento do corpo (exceto cabeça, pescoço e cauda) de um para um, como especifica o novo padrão da Federação Cinológica Internacional. Daí ser chamado de tipo quadrado ou compacto.
Nele a aparência de bola de pêlos alcança a sua maior perfeição.
Tudo indica que esse tipo, com proporção quadrada e pelagem abundante, só foi obtido a partir dos anos 30, quando a variedade Anão, a menor entre as cinco, passou a ser desenvolvida.
"É mais simples fixar a proporção "um para um" nos Anões, pois quanto menor o cão mais se torna compacto", explica o presidente do Clube dos Spitzes na França, Roger Barenne. "Portanto, quanto maior o porte, mais fácil perder a quadratura."
Faz sentido: hoje, pelo menos no Brasil e na França, a incidência de exemplares quadrados é bem maior na variedade Anão do que na Pequena e nas outras maiores, ainda que em todas se encontrem Spitzes assim. "O que predomina na França, nas exposições, independentemente da variedade de tamanho, são Spitzes com a proporção correta, mas sem dúvida é mais fácil achar os de proporção ideal na variedade Anão", garante Barenne.

TIPO RETANGULAR

Esse tipo físico de Spitz é mais comprido que alto. Por isso, é apelidado de retangular ou comprido. Ele é mais raro na variedade Anão e bem mais comum na Pequena e nas outras maiores.
Até hoje, é comum que nasça em ninhadas, mesmo naquelas em que ambos os pais são quadrados. Ainda que não se enquadre completamente no padrão, a julgar-se pelos registros históricos, esse tipo de Spitz tem hoje uma importância fundamental para a raça: foi a partir dele que se obteve o tipo quadrado, selecionado ao longo de gerações. "Quando alguém vem comprar um Spitz, eu aviso que o mais comprido não é ideal para exposições", fala Zaki Zawadzki, que cria há dez anos pelo Zawadzki Kennel, em Curitiba, que até o vende mais barato.

PELAGEM

O Spitz seduz pela pelagem armada por um abundante subpêlo". Assim define o padrão. E uma pelagem abundante, é claro, está relacionada à qualidade da criação.
"Exemplares com pelagem menos densa ou menos comprida que o ideal resultam, em geral, de acasalamentos mal programados", diz Jane Lehtinen, do American Pomeranian Club, nos EUA.
Ainda que exemplares de dorso comprido nasçam até de bons cruzamentos - tanto que a maioria dos criadores tem pelo menos um desses - , incidem mais em acasalamentos não tão bem planejados, que podem provocar outras características indesejáveis, sendo a pelagem atípica a mais visível.

COMPORTAMENTO

Obediência: ponto forte da raça - ela ocupa a 23ª posição no estudo do canadense Stanley Coren, autor do livro A Inteligência dos Cães, que estabeleceu uma lista de obediência canina, comparando 133 raças e as classificando do primeiro lugar ao 79º. A tendência, segundo ele, é que o Spitz Anão e Pequeno obedeçam 85% das vezes ou mais a uma ordem e aprendam um comando novo com cinco repetições e, na pior das hipóteses, com 15.

Temperamento Sereno:

Gostam de estar perto do dono, mas não solicitam sua atenção. "Os Spitzes, quando querem minha atenção, chegam perto de mim ou se equilibram em duas patas para ver se eu olho para eles, mas não pulam ou latem", fala Joana Caldas de Holanda, que cria há dez anos, pelo Canil Jazad, em Recife, onde tem 25 Spitzes anões.

 

Brincadeiras Comedidas: "O Spitz não é de brincar sem parar, tem alguns momentos de euforia e logo sossega", diz Zaki.
Aprendizado de Higiene: A raça aprende fácil onde fazer as necessidades. "É um verdadeiro fresco quando se trata de ficar limpo", observa Zaki. "Se faz xixi no jornal, e a urina escorre e molha as suas patas, ele sai correndo, com cara de horror e só falta levantá-las para que você as limpe."
Cuidados com as Quedas: Por ser pequeno e com a ossatura razoavelmente delicada, quedas e trancos podem ser graves. "Não aconselho um Spitz para quem tem cães maiores e que sem querer possam machucá-lo e me recuso a vender filhotes para crianças com menos de dez anos", declara Zaki.

NOMES E TAMANHOS:

  • Lulu é apelido da raça na França e no Brasil .
  • Pomerânia é o nome que americanos e canadenses usam e que em seus padrões deve ter de 1,3 a 3,1 quilos. Como a nossa criação se baseava na americana até 1986, muitos estão mais familiarizados com tal nome.
  • Spitz Alemão é o nome da raça no País de origem, a Alemanha, e adotado pela Federação Cinológica Internacional, que rege mais de 70 países, inclusive a maior parte da criação brasileira.
  • A raça Spitz Alemão é dividida em cinco variedades de tamanho: Anão, até 22 cm; Pequena, de 23 a 29 cm; Média, de 30 a 38 cm; Grande, de 42 a 50 cm; e Lobo de 50 a 60 cm.
  • Na criação brasileira predomina a idéia de que apenas a variedade Anão equivale ao Pomerânia, visto que o padrão oficial da FCI, que está traduzido para o português desde 1994 e cuja data original é de 1990, não comenta a respeito. No entanto, o padrão mais recente da FCI, ainda sem tradução oficial mas que Cães & Cia apresenta na íntegra nesta edição, deixa claro que tanto o Anão como o Pequeno são equivalentes ao Pomerânia.

 



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