
Nome completo: West Highland White Terrier. Apelido: Westie. Saiba tudo sobre o cão que virou fenômeno no País
São raros os brasileiros
que já viram um Westie." Há menos de dois anos, na última
reportagem de Cães & Cia sobre a raça, essa foi uma das
frases publicadas para ilustrar sua discreta popularidade no País.
E, então, da noite para o dia, de ilustre desconhecido o West
Highland White Terrier tornou-se a imagem canina mais vista e comentada do
Brasil.
Era o portal e provedor gratuito da Internet, o IG, lançando,
no final de janeiro passado, a nova campanha publicitária da
empresa. Desta vez, ancorada por um mascote de quatro patas.
Fazendo
gracinhas na TV e estampado em outdoors e nos principais jornais e
revistas do País, o irresistível exemplar de Westie
escolhido pelo IG
(veja quadro Quem é o Mascote) conquistou a fama,
o coração do brasileiro e aumentou a procura pela raça
ao ponto de quase enlouquecer os criadores.
"Tenho recebido
telefonemas até as 23 horas", exclama a carioca Clicia Lutti
Freeman, que cria Westies há oito anos. "Antes do IG, recebia
no máximo três ligações por dia, agora são
cerca de 40",
contabiliza a criadora há dez anos, Nora Jacobs,
de São Paulo. "Minha lista de espera aumentou de três
pessoas para cerca de 50", diz Helen de Barros, que cria há
nove anos no interior paulista.
"Além dos telefonemas, não
paro de receber e-mails, foram mais de 50 entre os dias 19 e 27 de abril",
estima Edith Dickmann, que cria a raça há cinco anos, em
Camboriú, SC.
OFERTA X PROCURA
O
espantoso aumento na procura por Westies não significou - pelo
menos não ainda - um aumento na quantidade de donos de exemplares.
A criação no Brasil é restrita.
Em 1999, houve
menos de 200 filhotes registrados pela Confederação
Brasileira de Cinofilia.
A maioria dos já poucos criadores tem
também poucas matrizes.
E, para completar, a raça gera
ninhadas pequenas: em média, de três filhotes.
O fato é
que mesmo antes da campanha do IG, o então reduzido time de pessoas
que queria um Westie já absorvia completamente a oferta e, muitas
vezes, até gerava listas de espera.
"Crio em pequena
escala, possuo um macho e duas fêmeas e, portanto, não dá
para fazer mágica e aparecer com um monte de filhotes",
comenta Ernesto Moraes, que cria há três anos, em Teresópolis,
RJ.
"Tenho apenas duas fêmeas e, desde que atingiram a
idade reprodutiva, cada qual gera uma ninhada anual, mais do que isso as
sobrecarregaria", diz Edith.
"Sempre trabalhei com listas
de espera e sempre tirei cerca de três ninhadas por ano, que é
o máximo que eu posso fazer de maneira planejada e bem-feita com as
minhas seis fêmeas", conta a criadora Leila Maria Soares
Rodrigues de Lima, de Brasília.
Para
atender a recente multidão disposta a pagar no mínimo R$
1.000,00 e às vezes até R$ 5 mil em um exemplar da raça,
só mesmo com o "milagre" da multiplicação
dos Westies. Só que leva tempo.
"Certamente estão
surgindo novos criadores, mas esse pessoal precisa de tempo tanto para
conseguir os exemplares como para reproduzi-los", avalia Leila.
"Muita
gente que me procura se diz interessada em criar a raça",
observa Clicia. "Já conheço pessoas que, por causa da
campanha do IG, estão absolutamente determinadas a criar Westies",
confirma o criador há seis anos, Josemar Barbosa de Lima, de Teresópolis,
RJ.
"Dos 60 interessados que tenho na lista de espera, dez já
me informaram que pretendem iniciar uma criação",
contabiliza Nora.
Enquanto isso, como não dá
para falar na súbita popularidade de uma raça sem vislumbrar
as conseqüências que ela tende a acarretar, os atuais criadores
mesclam o paradoxal sentimento de satisfação e receio.
"É
claro que estamos felizes por ver nossa raça famosa, encantando
todo mundo", diz Edith.
"Mas já começo a
prever uma onda de cruzamentos indiscriminados, que poderá resultar
em exemplares com desvios de temperamento e com má qualidade física",
pondera.
"Temo a degeneração
do Westie, a mestiçagem, a consangüinidade feita sem estudo prévio
e, enfim, o lado negativo que esse boom pode causar", concorda Nora.
"Muitos dos novos pretendentes a criadores, por mais
bem-intencionados que estejam, nem sequer sabem o que é um padrão
oficial ou um programa de acasalamentos; então como ficará a
qualidade da raça daqui para a frente?", indaga Nora.
"Também
me preocupa a falta de informação do público sobre o
temperamento do Westie", acrescenta Edith.
"As pessoas,
pelo menos a maioria, estão querendo a raça exclusivamente
pela aparência e talvez o Westie não seja adequado ao estilo
de vida de todas elas", prevê.
O físico ideal de um Westie Adulto
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