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Animal
bem-comportado tem direito a permanecer com o dono em condomínio mesmo
quando o regulamento interno proíbe a presença de pets
A percepção da importância da presença de cães,
gatos e outros animais no convívio com humanos se amplia cada vez mais.
Depois dos estudos feitos por psicólogos, médicos e outros profissionais
demonstrando a importância dos animais de estimação para
o bem-estar das pessoas, destacados em extensa matéria publicada por
Cães & Cia em agosto de 2002 (edição 279), agora temos
a boa notícia de que o direito à posse dos animais de estimação
ganha força no poder judiciário nacional, sobrepondo-se até
às próprias normas dos condomínios.
"A tendência atual dos juízes é entender que as proibições
contidas nas convenções condominiais e nos regimentos internos,
quanto à permanência de animais nos prédios, devem ser interpretadas
com restrições; o pet pode permanecer num condomínio contanto
que não cause transtornos", afirma o juiz do 2º Tribunal de
Alçada Civil de São Paulo, Américo Angélico, autor
do livro Condomínio no Novo Código Civil Brasileiro.
Ele está preparando para a segunda edição de sua obra,
com circulação prevista a partir do mês de agosto (2003)
, um capítulo específico esclarecendo que, mesmo quando o condomínio
estabelece proibições para a presença de animais, elas
não podem ser consideradas definitivas.
COMO
ASSEGURAR A PRESENÇA DO PET

Conhecer
e respeitar os direitos de vizinhança estipulados por lei e pelas normas
de cada condomínio é fundamental para o dono de animal de estimação
ter grandes chances de contar com o apoio do sistema jurídico brasileiro
na manutenção do convívio com seu pet. Veja, a seguir,
os aspectos mais importantes.
Respeito ao horário de silêncio
Do ponto de vista
legal, a perturbação do sossego da vizinhança por ruídos
de animais só se caracteriza se o barulho for produzido durante o horário
de silêncio.
Esse
período, que é noturno, é estipulado por lei municipal
e, normalmente, determinado também por norma interna do condomínio.
Ocorre, em geral, entre as 20 e as 8 horas.
Um cão que late, uiva ou chora no período de silêncio só
pode causar reclamações.
Será difícil encontrar quem defenda a presença dele no
local.
É claro que alguns latidos esparsos, como as "festinhas" de
boas-vindas quando o dono chega ou quando há movimentação
no corredor, poderão ser relevados.
Mas o dono deve sempre zelar para o horário de silêncio ser respeitado,
inclusive ensinando o cão a não exagerar nos latidos.
Dica
para um cão não ser espalhafatoso no alarme: se
o cão não pára de latir ao ouvir barulho no corredor, por
exemplo, ensine-o a ser menos barulhento. "Depois de ouvir o cão
latir duas vezes, espirre água gelada no focinho dele quando começar
a latir pela terceira vez e diga, ao mesmo tempo, ´quieto´, com
firmeza, para interromper a ação", ensina a treinadora especializada
em comportamento canino Cláudia Pizzolatto.
Dica
para não estimular latidos: dois
cães latem mais que um só. Um gato, muitas vezes, é a melhor
opção para fazer companhia a um cão que vive em condomínio.
"Além de pequeno, silencioso e higiênico, o gato não
precisa ser levado para passear e pode conviver em harmonia com o cão
quando os dois estiverem acostumados um ao outro", sugere Cláudia
Pizzolatto.
Manter a higiene e a saúde
O respeito a terceiros
na vida em comunidade se dá com atitudes como manter os animais vacinados,
zelar pela aparência saudável deles e deixá-los limpinhos,
sem exalarem mau cheiro. Os espaços pertencentes ao condomínio
não devem ser usados como banheiro pelos animais. O condômino,
ao sair com seu pet, precisa estar preparado para os imprevistos levando consigo
um saquinho para recolher dejetos. Dessa maneira, os demais moradores não
terão por que temer pela própria saúde nem pela de seus
filhos.
Quanto aos cães, a questão do "banheiro" pode variar.
Há exemplares que se adaptam bem a fazer as necessidades em uma área
determinada da casa (tradicionalmente na de serviço, num cantinho coberto
com jornal). Mas há os que não aprendem a ter um só lugar
para fazer as necessidades, sujando tapetes, sala de visita e outras áreas.
Sair com eles para se aliviarem significa garantir a higiene da casa.
Outros cães se recusam a sujar onde vivem, às vezes até
porque, quando eram filhotes, ficaram traumatizados por apanhar quando fizeram
necessidade no apartamento ou pelo dono ter esfregado o focinho deles nas fezes
e gritado. Nesse caso, não levá-los à rua para se aliviarem
pode resultar em problema de saúde, como infecção urinária,
de tanto segurar o xixi.
A adoção de "banheiro" externo exige pelo menos quatro
saídas diárias com o cão para além dos muros do
condomínio, cuja área não pode ser utilizada para isso.
Mas também é preciso zelar pela higiene das calçadas, recolhendo
as fezes de imediato. "As saídas rápidas são também
benéficas porque proporcionam lazer e colocam o cão em contato
com pessoas e animais, o que contribui positivamente para a socialização
dele", comenta Cláudia Pizzolatto.
Não intimidar condôminos
Ninguém
vai defender a permanência de um pet num prédio se ele já
agrediu um morador. "Ser perigoso é a pior caracterísitca
do animal que se pretende manter em condomínio - ele se torna malvisto
por todos e pode ser retirado rapidamente do local por meio de tutela antecipada
dada por um juiz", afirma Antônio Rigolin, juiz do 2º Tribunal
de Alçada Civil de São Paulo e professor universitário
de Direito Processual Civil. A tutela antecipada é uma medida de urgência
concedida para interromper uma situação de perigo.
Havendo
provas de que o animal representa ameaça, o advogado contratado pelo
condomínio ou pelo morador atacado poderá pedir tutela antecipada,
o que obriga o juiz a fazer o julgamento em curto prazo.
E se a tutela for concedida, o animal deverá ser afastado do condomínio.
Depois disso, há a possibilidade de o condômino juntar provas de
que as acusações e testemunhos usados na incriminação
eram falsos e o juiz pode revogar a tutela antecipada, voltando o animal ao
convívio com seu dono.
O
ideal é que a circulação com animais pelo condomínio
seja feita sem causar intimidação. Boas medidas para isso são
usar somente as passagens e os elevadores de serviço.
Se o pet for pequeno, pode ir no colo ou em caixa de transporte. Convém
conduzir um cão de grande porte em guia curta e com focinheira e, se
for de raça polêmica como o Pit Bull e o Rottweiler, mesmo quando
sociável, bem-educado e obediente, é melhor adotar precauções
adicionais para evitar medo nos condôminos.
Por exemplo, esperar o elevador ficar vazio para levar o cão de um andar
a outro. "Enquanto a docilidade e a confiabilidade do animal não
forem conhecidas pelos condôminos, o melhor é prevenir, conduzindo-o
sempre de maneira a tranqüilizar as pessoas", concorda Américo
Angélico.
Sociabilizar
e educar o animal de condomínio são cuidados mais do que bem-vindos.
Ter um cão que obedece a comandos, que sabe ficar sentado no elevador,
por exemplo, sem agitação que não incomode, certamente
tranqüiliza os vizinhos receosos e atrai a simpatia geral.
Proporcionar um adequado grau de atividade ao animal
A
necessidade de exercício varia bastante conforme o animal de estimação.
Em geral, os que mais precisam queimar energias em ambiente externo são
os cães, mas em graus diferentes (veja necessidade de exercício
em Opções caninas para apartamentos). Em relação
ao cão, lembre-se: deixá-lo cansado é um bom jeito de fazê-lo
feliz. Acorde uma hora mais cedo e pratique com ele uma boa caminhada diária.
"Há benefícios adicionais, como o estímulo mental
e a ativação do fator matilha, que faz muito bem ao cão,
pois na visão dele os dois estão "saindo para caçar",
atividade ao mesmo tempo divertida e útil para estreitar relações
com o dono, resultando em maior obediência", comenta Cláudia
Pizzolatto.
Quando
o animal for deixado sozinho, deixe ao alcance dele uma variedade de brinquedos
próprios para a espécie, com texturas variadas, acrescentando
novos itens regularmente.
No caso de pets mantidos soltos, esconda alguns brinquedos pelo apartamento
para tornar as brincadeiras ainda mais interessantes.
Na
hora de sair, alguns donos preferem isolar seus animais em algum cômodo
do apartamento. A área de serviço pode não ser uma boa
opção já que o piso além de frio, costuma ser muito
liso, exigindo movimentação forçada para não escorregar,
o que favorece o surgimento de lesões ósseas e musculares sérias,
principalmente em animais de médio e grande porte. Tapetes de borracha,
carpetes e pisos de pedra nem lisa nem fria, como a de tipo São Tomé,
são opções que costumam driblar esse problema.
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