O HOBBY DE PRODUZIR GATOS
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Alguns detalhes podem fazer muita diferença nos resultados obtidos ao acasalar gatos
Aproveite para descobrir agora as estratégias básicas dos gatis de sucesso. Certamente, muitos criadores de gatos gostariam de ter lido uma reportagem como esta no passado, antes de dar os primeiros passos na criação. Afinal, por falta de informação desse tipo, a maioria teve de aprender à custa de perda de tempo e de dinheiro, o que poderia ter sido evitado.
Estratégia
número um: mais do que gatinhos, produza valor.: Na criação
moderna de gatos, a satisfação vai além do prazer de ajudar
os graciosos e fofos filhotes a crescer bem.
Em um mundo repleto de gatinhos, em geral dados de graça, e que mesmo
assim nem sempre encontram quem os adote facilmente, é interessante observar
como a pureza racial faz as pessoas desejarem os filhotes a ponto de pagar por
eles. E ver a valorização deles à medida em que suas características
se aproximam do ideal descrito no padrão da raça.
A boa criação é sempre direcionada para a qualidade.
Em alguns casos, pode chegar até a produzir rendimentos suficientes para
o criador se dedicar integralmente à atividade, como acontece com Elaine
Jordão (veja Empresária de gatos), criadora e presidente do FelineClub,
filiado à The Internacional Cat Association (Tica).
Estratégia número dois: ter pedigree é pouco.: Apesar de fundamental, o pedigree garante apenas a pureza racial. Já a valorização da ninhada resulta da qualidade da criação e da boa genética resultante do acasalamento de gatos com qualidade superior, os chamados gatos show, aptos a obter prêmios nas exposições.
Estratégia
número três: foco na futura ninhada.: Há sempre o risco
de o novato, na empolgação de avaliar reprodutores, se esquecer
de pensar na futura ninhada. Por exemplo, não verificar se há
parentesco entre o macho e a fêmea e produzir ninhadas com males genéticos.
Acasalar gatos de diferentes cores de pelagem ou de olhos pode resultar em descendentes
com cores não aceitas por alguma entidade. Outro erro é a tendência
de avaliar reprodutores apenas pela aparência, quando o mais importante
é a boa carga genética deles, nem sempre evidente.
"Quem não dispõe de reprodutor com bom fenótipo (aparência)
e bom genótipo (carga genética, perceptível nas características
dos pais, avós e bisavós), tem maior probabilidade de obter filhotes
de qualidade se optar por um reprodutor de bom genótipo", orienta
o criador Fabio Lasalvia (veja Produzir com qualidade, em abundância).
Estratégia
número quatro: de olho nas viroses fatais.: Um grande desafio da
criação de gatos é manter o plantel protegido de três
viroses fatais que não têm cura: a peritonite infecciosa felina
(PIF ou FIP), a imunodeficiência felina viral (IFV ou FIV) e a leucemia
felina (VLF ou FeLV) (Cães & Cia publicou ampla matéria sobre
o tema na edição 259).
Nos Estados Unidos, segundo o Textbook of Um grande desafio da criação
de gatos é manter o plantel protegido de três viroses fatais que
não têm cura: a peritonite infecciosa felina (PIF ou FIP), a imunodeficiência
felina viral (IFV ou FIV) e a leucemia felina (VLF ou FeLV) (Cães &
Cia publicou ampla matéria sobre o tema na edição 259).
Nos Estados Unidos, segundo o Textbook of Veterinary Internal Medicine, de 2000,
o risco de um gato soropositivo para uma virose desenvolver a doença
é de 1% a 5%.
Entre os gatos saudáveis daquele país, são soropositivos
para leucemia felina 1% a 8% e para imunodeficiência felina, 1,5% a 3%.
A incidência sobe nos gatos doentes para 21% (leucemia) e para 7% a 15%
(imunodeficiência).
Para a peritonite, 75% a 100% dos gatos que vivem em colônias são
soropositivos e aproximadamente 25% dos gatos das casas. No Brasil, um estudo
com 126 gatos (120 mantidos em lares, 5 em abrigos e 1 em gatil), de 35 bairros
do Rio de Janeiro, feito pela Clínica Veterinária Gatos &
Gatos, detectou anticorpos para imunodeficiência felina em 16,66%, vírus
da leucemia felina em 17,46% e ambos em 1,5% dos exemplares.
A facilidade com que felinos passam por cima de muros e alcançam
janelas exige muito cuidado para protegê-los bem das viroses.
"Recomendamos aos criadores filiados que só acasalem gatos de sua
propriedade, para evitar o contágio dos plantéis com virose fatal",
informa a presidente da Tropicats, Inar Pessoa, do Rio de Janeiro. Para quem
não pode manter muitos machos, há a opção de formar
uma cooperativa de machos com outros criadores (veja Cooperativa de machos)
ou fazer um acordo, com um grande gatil, de serviço de cobertura usando
os machos dele (veja Ninhadas eventuais dão diversidade ao hobby).
"Muitos dos criadores de gatos norte-americanos e canadenses limitam o serviço de cobertura, só permitindo o acasalamento de seus machos com fêmeas comprovadamente isentas de doenças", comenta a vice-presidente da Cat Francier's Association (CFA), Pam DelaBar, dos Estados Unidos. A melhor maneira de ter certeza da isenção das viroses é submeter os gatos a uma bateria de exames. Essa não é, ainda, a rotina por aqui, mas ocorre em outros países. "Na Itália, os criadores preferem não acasalar gatos com os de outros gatis, mas quando o fazem, na maioria das vezes pedem exames de isenção de viroses", diz a presidente da Federação Italiana das Associações Felinas (Fiaf), Marialba Arpa. "A credibilidade dos exames aumentou desde 1999, quando a Fiaf tornou obrigatória a identificação por microchip implantado sob a pele, de cada gato inscrito."

Estratégia
número cinco: adote um guru - O
ideal é o criador principiante contar com a orientação
de alguém experiente, estabelecendo uma relação de confiança
e orientação com o fornecedor dos reprodutores.
É preciso, entretanto, escolhê-lo cuidadosamente (as exposições
podem ser um bom local para procurar, mas é preciso agir com cuidado:
um gato campeão pode ser doente e, mesmo tendo bom fenótipo, pode
não ter bom genótipo).
Esse criador poderá, ainda, fornecer os parceiros reprodutores que gerarão
as primeiras ninhadas do principiante. É claro que um acordo desses dependerá
muito da confiança e caberá ao novato se mostrar merecedor dela.
PRODUZIR COM QUALIDADE, EM ABUNDÂNCIA
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Fábio Lansalvia |
Machos |
Jovens |
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Maternidade |
Playground |
Fêmea adulta |
O
industrial Fabio Lasalvia, do Gatil Promenade, de São
Paulo, tem como hobby criar Persas e Himalaios de alta qualidade
"Por
cerca de 16 anos, eu e minha esposa criamos cães e participamos de exposições
cinófilas. Em 1995, compramos uma Persa adulta.
Quisemos acasalá-la com um bom macho, mas não conseguimos parceiro.
Os bons criadores tinham receio de promover acasalamentos com gatos de desconhecidos,
preocupados com viroses.
Compramos então um Persa macho, filhote, para ser um futuro padreador.
Mas quando o levamos junto com a fêmea para uma exposição
gatófila, descobrimos que ambos deixavam a desejar quanto à perfeição
física.
Estávamos dispostos a criar com qualidade, e há seis anos resolvemos
importar dois casais de Persa, um da Alemanha e outro dos Estados Unidos.
Para não cometer erros, buscamos orientação com outros
criadores, inclusive do exterior, e pedimos fotos e muita informação
sobre os gatos oferecidos e seus ancestrais.
Valeu a pena. Já na primeira exposição, duas das nossas
aquisições importadas foram premiadas e cerca de 70% dos filhotes
passaram a nascer com qualidade para exposição.
Desde lá, criamos apenas gatos.
Hoje, de um plantel de 20 fêmeas e cinco machos, 12 exemplares são
importados e produzimos cerca de 60 filhotes por ano.
A nossa clientela principal é de criadores em busca de Persas e Himalaios
de ponta.
O
gatil tem cinco áreas: uma para fêmeas adultas (35 m2); outra para
os jovens (25 m2); uma maternidade onde ficam as gestantes, a partir os dois
dias de gravidez até a ninhada estar com 60 dias (25 m2); um espaço
para cada macho adulto (4 m2) e um playground (32 m2) - alternamos os gatos
nele por grupos: todas as fêmeas, todos os jovens e machos adultos não
rivais.
Para evitar risco de doenças, vacinamos o plantel uma vez por ano contra
raiva, rinotraqueíte, panleucopenia, calicivirose, clamidiose e leucemia
e só recebemos uma gata para acasalar se for nascida no nosso gatil e
criada por pessoa da nossa confiança, além de nunca ter tido contato
com gatos de terceiros. As fêmeas têm uma ninhada por ano.
Cada filhote alcança preços entre 800 e 2.000 reais.
Minha dica: se não for possível usar um gato parceiro que
reúna bom fenótipo (boa aparência para exposição)
e bom genótipo (pais, avós e bisavós com qualidade show),
opte por um parceiro com irmãos bonitos, indicador de bom genótipo,
e aumente a chance de obter uma boa ninhada."
Veja
mais dicas na ficha Para acasalar seu gato com sucesso.
Publicamos também um Modelo de contrato de compra e venda de serviços
de acasalamento entre gatos na internet (www.caes-e-cia.com.br).
Faça seus planos e, quem sabe, em breve você estará contribuindo
com a criação nacional, pondo no mundo mais uma valiosa ninhada
de gatos!
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