COELHOS: MASCOTES DE SUCESSO
Eles existem em mais de 40 raças diferentes, são
bonitos, graciosos e já conquistaram uma multidão de
admiradores. Saiba mais sobre o hobby de ter e criar Coelhos .
Os
Estados Unidos, o maior centro mundial de criação de bichos
de estimação, os Coelhos são líderes de
popularidade. Em outras palavras, eles são os mais adotados entre
todos os mamíferos roedores comumente adquiridos como mascotes:
Hamster, Porquinho-da-índia, Chinchila, Rato, Ferret, Camundongo e
Esquilo da Mongólia.
Quem garante a informação é a
tradicional entidade American Pet Products Manufacturers Association (APPMA), que, há mais de quatro décadas, realiza
pesquisas bianuais sobre animais de estimação e seus donos.
Segundo o último levantamento disponível, o do ano passado,
dos quase 4 milhões de lares norte-americanos que têm algum
mamífero roedor, 40% possuem Coelhos - percentual esse não
atingido por nenhum dos demais.
No nosso país, não há pesquisas que
determinem a quantidade de moradias ou de pessoas que têm mamíferos
roedores como mascotes. No entanto, não restam dúvidas de
que os Coelhos fazem um sucesso considerável como bichos de estimação.
Dos 14 pet shops entrevistadas por Cães & Cia em vários
dos principais Estados nacionais (veja nomes em agradecimentos),
oito comercializam esses simpáticos orelhudos.
Em duas delas - a República dos Bichos, em Belo Horizonte, e a
Dog House, em Brasília -, os Coelhos lideram as vendas. Nas seis
restantes, eles são vice-colocados, perdendo apenas para os
Hamsters e vendendo, conforme a loja, de dez a quase 200 exemplares por mês.
QUAL A GRAÇA
Aparência. Eis o maior atrativo dos Coelhos. Quem
não acha uma graça o seu corpo felpudinho, de longas
orelhas, olhar doce e nariz que remexe? A variedade de raças, de
cores, de tipos de pelagem e de tamanhos (veja
quadro Diversidade de Raças) colabora ainda mais para
encantar o público.
Mas não é só isso que
garante o sucesso desses roedores como mascotes.
Há uma lista
de predicados em seu favor: preço acessível, manutenção
pouco trabalhosa e de baixo custo, necessidade de acomodações
não muito espaçosas, ausência total de cheiro na pele
e no pêlo e um temperamento calmo, nada barulhento e ao mesmo tempo,
sociável, dócil, interativo e disposto a brincadeiras.

Os Coelhos também são uma opção
fascinante para quem decide criar. Basta que algumas providências
bastante simples sejam tomadas (Veja
quadro como manter e criar), para até mesmo o mais amador
dos criadores conseguir ver os seus exemplares procriando sem problemas.
Especializar-se em uma ou algumas das raças, selecionar
acasalamentos para obter exemplares cada vez mais bonitos e participar de
exposições de beleza também podem fazer parte do
hobby (veja EUA X Brasil).
Um dos raros criadores que se dedicam somente aos
Coelhos como mascotes é Paulo Ramos Amarante, de Valinhos, SP. Ele
observa na prática o predomínio da criação
nacional.
"O interesse pela carne e pele de Coelhos cresce muito no
Brasil; já o hobby de criá-los apenas como bichos de estimação
e exposição, não", afirma.
"Até
existem eventos de beleza, mas o enfoque é expor e premiar os
exemplares que garantam uma boa carne e pele", diz. "O ramo
principal da criação de Coelhos no Brasil é a carne
e, conseqüentemente, a pele, que é retirada dos exemplares
abatidos e usada para a confecção de roupas e acessórios",
fala o presidente da Associação Paulista de Criadores de
Coelhos, Henrique Dewald Paraschin, também um dos proprietários
da Granja Angolana, em São Roque, SP.
"Acredito que menos
de 5% da produção brasileira se destinem ao hobby de Coelhos
como animais de companhia"`São vários os motivos dessa
gradual mudança de enfoque na criação de Coelhos nos
EUA.
"A demanda por carne e pele começou a crescer aqui
nos anos 60 e 70", lembra o criador norte-americano Glen Carr, que
chegou a participar desse mercado.
Mas, como Carr complementa,
paralelamente a isso, o hobby dos Coelhos como mascotes e bichos de exposição
ia ganhando cada vez mais força.
"Mesmo tendo sido um
processo lento, os Coelhos foram se tornando sinônimo de animais de
companhia e foi ficando cada vez mais estranho comer a sua carne ou vestir
a sua pele", explica.
"Da mesma maneira como, na nossa
cultura ocidental, é bem esquisito comer carne de cachorro ou de
gato", compara Carr.
Somem-se a isso, as campanhas de ecologistas e de
hobbistas contra o consumo de carne de Coelho e contra o uso de pele de
animais. "A procura por carne de Coelhos nos açougues e nos
restaurantes foi diminuindo cada vez mais", recorda-se ele.
"Para
os criadores de Coelho, pagar a inspeção de qualidade da
carne - uma exigência do governo americano aos produtores de
qualquer tipo de carne - foi ficando pouco vantajoso e a melhor solução
era abandonar a atividade", analisa.
Já em relação
à pele - além das campanhas ecológicas e de sua obtenção,
normalmente, vir dos Coelhos já abatidos para abastecer o consumo
de carne -, houve outro fator que ajudou a afundar o segmento: "Os
asiáticos entraram no mercado com peles a preços tão
baixos que se tornou mais barato importar deles do que comprar da produção
nacional", fala Carr. Por tudo isso, dos anos 80 para cá,
Coelho esperto prefere a nacionalidade norte-americana. "Aqui, hoje,
usar pele de animais pega até mal, e a carne de Coelho é
rara e bem cara", informa ele.
COMO MANTER E CRIAR
Foto: Fernando Torres de Andrade
Prop: Ludovico Dewald (1ª foto)


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