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FERRET:
A GRAÇA DESSE MASCOTE IMPORTADO
Embora
seu preço restrinja o público comprador, ele vem se firmando no País
Entre
todos os pequenos mamíferos comumente adotados como pets no Brasil, o Ferret
é o único que não pode ser criado propriamente dito.
Em outras palavras, diferentemente do que ocorre com Coelhos, Chinchilas, Hamsters
e afins, é proibido mantê-lo com finalidade de procriação ou mesmo de forma
apta a se reproduzir: a única maneira legalizada de ter um Ferret no País é
já o adquirindo castrado.
Tais restrições, impostas pelo Ibama, são justificáveis e objetivam proteger
a fauna nacional.
É que o Ferret (Mustela putorius furo) é uma espécie estrangeira com primo similar
nas matas brasileiras, o vulgo Furão (Galictis vittatus brasiliensis).
"Animais estrangeiros são sempre um risco potencial, porque, se forem soltos,
podem se adaptar à fauna local, competindo com espécies nativas e gerando desequilíbrios
ambientais muitas vezes graves", explica o coordenador de Fauna e Flora do Ibama,
Francisco Neo.
"Esse risco torna-se ainda maior quando o animal estrangeiro em questão tem
um parente próximo no local, sugerindo que, naquele ambiente, aquele tipo de
bicho realmente encontrará condições para sobreviver e perpetuar sua espécie",
acrescenta Neo.
A
proibição de ter Ferrets nascendo em solo verde-amarelo representa, sem dúvida,
um freio em sua popularização - afinal, são todos importados, o que encarece
significativamente seu preço final.
Só para dar uma idéia, nos Estados Unidos, país que os exporta para cá, um bom
Ferret para pet -
não para competir em exposições de beleza - custa em média 120 dólares, o que
já não é barato.
Mas aqui é quase impossível comprá-los por menos de 400 reais, e é comum que
atinjam valores entre 600 e 800 reais.
"Claro que o preço restringe o público comprador; não é muita gente que no Brasil
de hoje pode desembolsar essa quantia com um bicho de estimação",
avalia um dos fundadores do clube Nosso Ferret, Raimundo Pascoal de Miranda
Paiva Jr., de São Paulo.
"Muitos dos que se interessam pelo Ferret desistem dele assim que descobrem
seu preço e acabam optando por bichinhos que considerem similares, mas que sejam
mais baratos, como um Porquinho da Índia ou mesmo um Coelho, que custam menos
de 50 reais", compara o lojista Ricardo Murata, do pet shop paulistano Gato-Ke-Rri.
Apesar do preço
salgado limitar seu crescimento, o Ferret até que tem conseguido ampliar seus
horizontes no nosso país.
Desde que o comércio legalizado da espécie teve início no Brasil (e não faz
muito tempo, foi em 1997), o número de importadores subiu de apenas um para
quatro.
Também tem aumentado a quantidade anual de Ferrets importados. Os dados do Ibama
- onde quem importa a espécie precisa estar cadastrado e onde se registram todos
os exemplares legalizados que chegam ao País - indicam um total de 11.054 Ferrets
trazidos para cá até abril de 2002, sendo que, de 1998 até o ano passado, o
aumento anual mínimo no número de exemplares registrados foi de 12%
UM
CLUBE DE FERRETS NO BRASIL
Encontro
dos sócios do clube: confraternização entre associados e recreação para seus
Ferrets, que brincam juntos num cercadão
Inaugurado em maio de 2000, o clube Nosso Ferret tem hoje 296 associados. A
entidade nasceu como um fórum de discussões sobre a espécie hospedado no Yahoo
(http://br.groups.yahoo.com/group/nossoferret).
Com o tempo, os freqüentadores do endereço virtual, ainda o oficial do clube,
sentiram vontade de se conhecer pessoalmente
Assim,
surgiram os chamados ENFERS, encontros reais nos quais os associados se reúnem
acompanhados de seus Ferrets.
"Esses encontros ocorrem a cada três meses aproximadamente e têm como objetivo
maior a confraternização entre os donos e a recreação de seus Ferrets, que ficam
soltos todos juntos para brincarem à vontade", conta um dos fundadores do clube,
Raimundo Pascoal de Miranda Paiva Jr (no centro da foto maior, de boné branco).
"Não fazemos palestras nem exposições de beleza, mas, tanto no site como nos
encontros reais, conversamos bastante sobre a espécie, o que é sempre enriquecedor",
acrescenta. Até hoje já houve sete ENFERS, a maioria realizada no Parque do
Ibirapuera, em São Paulo.
O recordista no número de participantes foi o de abril do ano passado, que teve
a presença de 200 pessoas e 121 Ferrets. O das fotos foi o mais recente.
Aconteceu em abril deste ano e teve a participação de 50 associados e de 58
exemplares.
"Os encontros também são legais por ajudarem a divulgar o Ferret para o grande
público; afinal muita gente passa pelo local e acaba se aproximando e se informando
sobre nossos bichos", comenta Paiva Jr. Informações sobre os próximos ENFERS
podem ser obtidas no site do clube. Em geral, não há taxa de inscrição e a entrada
é gratuita.

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