Sagui

 

 

 

 

 

 

 

SAGUIS: OS MENORES MACACOS DO MUNDO

Inteligentes e graciosos, os saguis podem ser ótimos bichos de estimação. Aprenda a conhecê-los e tratá-los adequadamente.

Eles são pequeninos. Alcançam em média 20 cm e o menor deles, o Sagui leãozinho, tem apenas 11cm. Habitam as florestas da América Central e do Sul, sendo que das 35 espécies existentes, 25 são brasileiras.

Ágeis, inteligentes, facilmente adaptáveis ao cativeiro e graciosos, são muito apreciados como bichos de estimação. Em média pesam 500g e possuem garras para escalar árvores e superfícies ásperas. Sua cauda, que não serve para pendurar nos galhos, mas como equilíbrio, é grande em relação ao corpinho. Em certas espécies tem duas vezes o tamanho do corpo. As cores da pelagem são preta, castanha, branca, dourada e prateada.

Os Saguis têm hábitos diurnos, apoiam-se nas quatro patas e vivem nas copas das árvores, entre as quais saltam com facilidade devido à forte propulsão dos posteriores. Podem descer ao solo à cata de insetos e para beber água. Abrigam-se em troncos ocos e podem repetir o mesmo percurso todo dia na mata. São muito fortes.

 

 

CONVÍVIO

Em contato com o homem, mostram-se receptivos. Os filhotes em especial, adoram nossos cabelos, da mesma forma com que se abrigam nos ombros dos pais. Também apreciam ser escovados. Passe uma escova de dentes (nunca antes utilizada na boca) por todo o corpo do bichinho, pois nossos dedos são muito grandes. Mas não os crie soltos. Há inconvenientes: roer os móveis e pegar facilmente doenças nossas que lhes são fatais, como a herpes bucal, através da ingestão de alimento que teve qualquer mínimo contato com nossa saliva. Faiçal Simon, veterinário de animais selvagens, alerta também que o Sagui pode parecer manso, mas "é muito senhor de si e temperamental, podendo morder o dono sem razões aparentes. Ainda não conseguimos estabelecer um diálogo com a espécie. Não sabemos o que se passa na cabeça deles".

VIDA FAMILIAR

Os Saguis não mudam de parceiros, vivem em grupos e têm toda uma organização social. Disputam a liderança em lutas violentas e o grupo e comandado por um casal. Aos machos cabe a tarefa de proteção e defesa e as fêmeas são as primeiras a comer (não se sabe o porquê). Os casais fazem uma catação possivelmente de caspa e pêlos soltos do corpo dos companheiros. Certas espécies, especialmente quando alguém estranho se aproxima, mostram o traseiro, erguendo o rabo e exibindo os órgãos genitais. Acham alguns autores que se trata de uma atitude de intimidação.

Os pais Saguis ensinam os filhos a comer. Servem de modelo nas funções de copular, caçar e cuidar de filhotes. Seu comportamento, em grande parte, é aprendido e não instintivo. Assim, para ensiná-los em cativeiro a se alimentarem de coisas novas, precisamos comê-las para verem e imitarem.

CRIAÇÃO

Vida média: 10 anos na natureza, 18 em cativeiro. Média de filhotes por parto: dois.
Maturidade sexual: aos 3 anos.
Gestação: de 138 a 170 dias.
Reprodução: Um casal isolado em ambiente calmo, sem trânsito de pessoas. A família deve ficar unida até os filhotes terem 2 anos, quando já aprenderam a ajudar na próxima cria. A fêmea pode cruzar dois dias após o parto, procriando a cada 6 meses. Saúde: sensível a doenças humanas, especialmente herpes bucal, que lhe é fatal, raquitismo (deficiência nutricional e de sol), gripe e pneumonia.
Alimentação: na natureza, insetos, répteis, pequenos mamíferos, aves, lesmas, ovos, alguns vegetais, frutas e resina (a goma) das árvores. Em cativeiro, por exemplar: bolinhas de carne de 1cm, em dias alternados.
Diariamente: leite e derivados à vontade (queijos , ricota) com pitada de açúcar; 2 balas de goma pequena (substitui goma da árvore), frutas doces da época (cortadas no tamanho de meio dedal), como manga, mamão, uva, melancia e muito pouca banana, macarrão com ovos (cozidos à vontade), ovo de codorna cozido com casca (¼) e bolacha (¼, nunca de chocolate).
Viveiro: de 1,20 x 1,20, no mínimo, para um Sagui ou um casal e a cria. Local com bastante sol sem ser filtrado por vidros e longe de correntes de ar (o frio não o prejudica, mas sim o vento). Dentro, vários poleiros irregulares de galhos, uma caixa para abrigo, instalado no alto (de 2,5 litros com abertura de 10 cm), de madeira grossa não-tratada, uma táboa pendurada para tomar sol e cordas (uma passando na abertura da caixa). Forrar chão com feno onde cairão as fezes, urina etc. Vasilhames de alumínio para comida e água, fervidos diariamente e postos embaixo da táboa de tomar sol, para proteger dos dejetos. A apanha e a manutenção da espécie é proibida por lei.

Texto: Carmen Olivieri. Consultoria: Faiçal Simon, veterinário de animais selvagens.

Foto: Arnaldo Bento
Prop.: Zoológico Municipal de Taboão da Serra-SP

 
 
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