SALAMANDRAS: OS ANFÍBIOS DE ESTIMAÇÃOSalamandras

 

 

 

Respiram na terra ou embaixo d'água. Nadam como serpentes, graças aos movimentos da cauda. As cores são variadas e há centenas de espécies. Que tal ter uma em casa?

 

Após o surgimento da vida no planeta, os anfíbios (da classe zoológica Amphibia) foram os primeiros animais que se aventuraram terra adentro. E até hoje, quando são inúmeras as formas da vida animal, eles conservam a sua ambigüidade: vivem, respiram e se alimentam, tanto na água como na terra. No ambiente aéreo, a respiração é pulmonar; embaixo d'água, a respiração se dá através da pele.

Na classe Amphibia há, basicamente, duas grandes ordens. Uma, reunindo aqueles que não apresentam cauda, como sapos e pererecas; e outra, denominada Caudata ou Urodela, que compreende os de cauda. Estes é que são popularmente conhecidos no Brasil como Salamandras.

São cerca de 400 espécies, dos mais variados tamanhos: desde alguns poucos centímetros até a Salamandra Gigante (Megalobatrachus japonicus) que chega a 1,60 m. Às vezes podemos ouvir falar em Tristões, da mesma ordem das Salamandras. Estes pertencem ao gênero Triturus, e preferem a vida na água. No Brasil, raramente são encontrados à venda. Em cativeiro, recebem os mesmos cuidados que as Salamandras.

 

 

 

Conta-se que, no decorrer dos tempos, as Salamandras foram alvo de lendas entre povos antigos. Eram confundidas com pequeninas criaturas mitológicas que viviam nas chamas, os "elementais do fogo". Tudo porque eram vistas saindo às pressas das fogueiras. É que, na natureza, costumam habitar troncos caídos, que poderiam ser usados como lenha.

Primitivas e lendárias, às vezes parecem miniaturas dos grandes répteis pré-históricos; em outras ocasiões são chamadas de lagartixas. Por não serem muito conhecidas no Brasil, a sua figura, a princípio, pode causar uma certa estranheza. Aos poucos, no entanto, vai ganhando admiradores.

As Salamandras, por vezes, apresentam um belo colorido. As cores mais freqüentes são o amarelo, o vermelho, o azul e o preto. E, bem tratadas e acomodadas, vivem 20 e 25 anos.

Originárias do hemisfério norte, elas têm seu habitat em riachos de águas frias e normalmente hibernam durante o inverno. A grande maioria delas (mais ou menos 70%) prefere a vida na terra a maior parte do tempo.

Partindo desses dados, não é difícil perceber que o ambiente ideal para se ter alguma em casa deve ser uma espécie de aquário, que conte com partes de terra firme. Em resumo, o ideal é um terrário úmido, que já é vendido no Brasil, mas que o próprio criador pode construir.

As dimensões do terrário variam. Para dois ou três exemplares, uma medida padrão seria: 40 cm de comprimento, 30 de largura e 30 de altura. Metade do espaço interno é ocupado por terra firme e metade por água, de uns 12 cm de profundidade. Pode-se decorar e colocar plantas (tanto na parte aquática como na terrestre) à vontade mas há algumas providências obrigatórias: a temperatura nunca deve ultrapassar os 23ºC, as paredes e o teto (construídos em vidro) têm que estar livre de frestas ou aberturas pelas quais os animais possam escapar e, finalmente, é necessário que se providencie algum tipo de rampa (um pedaço de madeira ou uma "praia") para que consigam entrar e sair da água com facilidade.

Caso não seja possível um terrário, devemos ter pelo menos um aquário com água rasa e uma ou mais pedras oferecendo uma parte emersa. Mas tudo sempre bem fechado. As Salamandras são hábeis fugitivas e conseguem escalar paredes de vidro.

Encontram-se à venda em lojas de peixes, sempre importadas. O preço, em função da importação, varia com o dólar.

CUIDADOS

Alimentação: constituída fundamentalmente de alimentos protéicos; coração de boi em pequenas tiras e/ou alimentos vivos como artêmias adultas, tubifex, larvas de insetos etc. Os insetos devem ser a primeira escolha para os exemplares recém-adquiridos que estejam recusando alimentos.
Saúde: não permita que fiquem alimentos deteriorados, principalmente na água, onde provocam a proliferação de grande quantidade de bactérias que causam doenças. No ato da compra, prefira as mais ágeis e de ventre roliço, que são as mais saudáveis. Com os cuidados de alimentação, higiene e temperatura, dificilmente os animais adoecerão.
Reprodução: é rara em cativeiro, e só acontece quando macho e fêmea foram apanhados, já adultos, na natureza. O dimorfismo sexual varia de uma espécie para a outra, mas geralmente o macho tem a cloaca maior e sua crista da cauda é mais colorida e exuberante que a da fêmea, que pode mesmo não apresentá-la.
Cuidados com a saúde do homem: as salamandras são muito venenosas, possuindo por toda a pele glândulas com uma toxina irritante de mucosas. Algo parecido com a bufotelina, existente nos Sapos. Portanto, não devem ser ingeridas e nem manipuladas com dedos feridos. Não se deve, também, esfregar os olhos após tocá-las.

Matéria baseada em texto especialmente escrito para Cães & Cia., por Fernando Bignardi (Consultor de Aquarismo).
Redator: Eugênio Bucci.

Foto: Pedro Todorovic Filho.
Prop.: Fernando Bignardi, SP.

 
 
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